Post: Programador cria portal para ajudar a localizar desaparecidos após terremotos na Venezuela

Jorge Bastidas cria portal para localizar desaparecidos após terremotos na Venezuela, enfrentando a falta de dados oficiais.
Programador cria portal para ajudar a localizar desaparecidos após terremotos na Venezuela

Após os devastadores terremotos que atingiram a Venezuela em junho, o programador Jorge Bastidas, de 32 anos, decidiu agir diante da falta de informações sobre os desaparecidos. Morando na Argentina e em viagem de trabalho a Bogotá, ele se viu impotente ao receber a notícia dos tremores e perceber que não conseguia contatar sua família. A situação se agravou quando ele notou, em um canal de notícias no YouTube, que muitos venezuelanos estavam desesperadamente buscando informações sobre entes queridos que haviam desaparecido.

“Eu gostaria de ter podido estar lá e ajudar de uma forma mais direta, mas não tinha como fazer isso”, desabafa Bastidas, que decidiu criar um site chamado ‘Desaparecidos Terremoto Venezuela’. O objetivo era simples: proporcionar um espaço onde as pessoas pudessem registrar relatos sobre seus familiares e se conectarem entre si. Desde o lançamento, o portal já recebeu mais de 82 mil registros de pessoas desaparecidas, mas a situação é alarmante, pois cerca de 29 mil dessas pessoas ainda não foram localizadas.

A falta de transparência do governo venezuelano em relação aos números de desaparecidos tem gerado indignação. Bastidas critica a inação do regime, que não divulgou uma lista oficial ou criou um canal para registrar esses casos. “Sinto indignação porque o governo tem os recursos para estimar o número de desaparecidos, procurá-los e fornecer informações verificadas à população, e não o faz”, afirma. Em resposta a perguntas sobre a situação, o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, minimizou a questão, dizendo que não se pode basear em especulações.

Com a ajuda de uma ferramenta de inteligência artificial da empresa Anthropic, Bastidas conseguiu projetar e lançar o site em apenas quatro horas e meia após os terremotos. O portal inicialmente permitia que os usuários registrassem informações sobre pessoas desaparecidas, incluindo fotos e dados de contato. No entanto, o sucesso do site também trouxe desafios inesperados. Bastidas relata que, no auge do tráfego, cerca de 800 mil usuários acessaram a página em um único dia, o que levou a problemas técnicos e à necessidade de reforçar a infraestrutura do site.

Além disso, o portal enfrentou tentativas de sabotagem, com usuários registrando nomes fictícios e até brincadeiras, como a inclusão de figuras políticas. Para lidar com isso, Bastidas implementou restrições e um painel de moderação, permitindo que os usuários denunciassem conteúdos inadequados. “Muita gente acompanhava a página e, quando via informações que não correspondiam à realidade, fazia uma denúncia”, explica.

A iniciativa de Bastidas chamou a atenção de laboratórios de inovação, e ele recebeu uma proposta da LAB-CO, que ofereceu um modelo de reconhecimento facial para ajudar na identificação das pessoas desaparecidas. Essa tecnologia, já utilizada em serviços forenses no México e na Guatemala, poderá auxiliar na busca por respostas em um momento tão crítico para muitas famílias venezuelanas.

A situação na Venezuela continua a ser alarmante, e a falta de informações oficiais sobre os desaparecidos gera angústia e incerteza. Jorge Bastidas, com sua iniciativa, não apenas criou uma ferramenta de auxílio, mas também se tornou uma voz ativa em um momento em que muitos se sentem desamparados. O portal é uma prova de que, mesmo em meio ao caos, a solidariedade e a tecnologia podem se unir para fazer a diferença.

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