Um vazamento de 420 mil emails da Alternativa para a Alemanha (AfD), partido de extrema direita que lidera as pesquisas eleitorais, expôs informações sensíveis e práticas controversas da legenda. O ataque hacker, atribuído a um grupo ativista, disponibilizou 280 gigabytes de dados, incluindo comunicações internas e documentos que revelam espasmos de neonazismo e potenciais irregularidades financeiras. Desde a última terça-feira (20), o material está acessível ao público, provocando uma onda de escrutínio por parte da imprensa e ativistas nas redes sociais.
A AfD, que se destaca na política alemã e está próxima de conquistar um governo estadual, confirmou a invasão de um site que hospedava seu sistema de emails, mas minimizou a gravidade do incidente, afirmando que apenas “algumas poucas caixas de email” foram afetadas, segundo um porta-voz do partido. Contudo, o conteúdo do vazamento inclui mensagens da colíder da sigla, Alice Weidel, e revela uma série de informações delicadas, como extratos bancários que listam nomes de doadores, um tema que pode gerar repercussões significativas.
A popularidade da AfD nas urnas contrasta com a rejeição que enfrenta por parte do establishment político. Recentemente, a BMW cancelou uma oferta de aluguel de veículos ao Parlamento de Saxônia-Anhalt, após a Casa eleger um membro da AfD como presidente. Essa situação ilustra a crescente tensão entre o partido e as instituições tradicionais da política alemã.
A trajetória da AfD, que começou em 2013 como um partido eurocético durante a crise do euro, evoluiu para uma postura extremista, especialmente após a política de portas abertas de Angela Merkel em 2015, que gerou um forte sentimento anti-imigração. O vazamento de emails revela discussões internas sobre membros da sigla, incluindo um caso envolvendo o parlamentar nacionalista Matthias Helferich. O diretório regional da AfD em Renânia do Norte-Vestfália elaborou um dossiê sobre declarações racistas do deputado, recomendando sua expulsão, mas ele acabou recebendo apenas uma suspensão temporária.
Outro episódio controverso destacado nos emails diz respeito a Laurens Nothdurft, um ex-integrante de um grupo neonazista banido em 2009. Apesar de seu histórico, ele foi nomeado assessor jurídico na Baviera e agora é cotado para se tornar secretário estadual em Saxônia-Anhalt, onde a AfD obteve quase 44% dos votos nas eleições regionais de setembro. Esse cenário pode resultar na formação do primeiro governo de extrema direita da Alemanha desde a Segunda Guerra Mundial.
As mensagens também revelam a luta interna do partido para lidar com comportamentos extremistas de seus membros. Em 2025, um dirigente solicitou a expulsão de um militante que tentou vender uma bandeira com a suástica em uma barraca de campanha. Em um episódio anterior, um grupo de WhatsApp trocou saudações que incluíam uma foto de Adolf Hitler, evidenciando a normalização de ideais extremistas dentro da legenda.
Além das questões de comportamento, o vazamento trouxe à tona problemas financeiros da AfD. Mensagens de Weidel durante as eleições de 2017 mostram sua preocupação com um escândalo de doações ilegais que afetou a imagem do partido. O impacto desse vazamento pode ser significativo, não apenas para a AfD, mas também para o cenário político da Alemanha, onde a ascensão de partidos extremistas continua a gerar debates acalorados sobre democracia e direitos humanos.




