O Carrefour anunciou uma revisão significativa em sua projeção de resultados operacionais, prevendo perdas que podem ultrapassar R$ 1 bilhão, após os recentes protestos na França. O presidente-executivo da rede, Alexandre Bompard, revelou que cerca de 50 lojas e 19 supermercados foram saqueados durante os distúrbios, que ocorreram em meio a manifestações contra o aumento do custo de vida. Em entrevista à rádio France Inter, Bompard classificou os atos de vandalismo como “delinquência” e destacou que os prejuízos podem impactar entre 80 milhões de euros e 200 milhões de euros (aproximadamente R$ 451,08 milhões a R$ 1,13 bilhão) nos resultados deste ano. Os analistas da Jefferies alertaram que os tumultos podem comprometer até 60% do lucro operacional da empresa no quarto trimestre, um período crucial para o varejo devido às vendas de fim de ano.
“Estávamos no caminho certo para alcançar nossos objetivos, mas a deterioração das condições sociais e de segurança nos obrigou a informar aos nossos investidores que não seremos capazes de atingir nossas metas para o último trimestre”, afirmou Bompard. Além das perdas diretas, os distúrbios também elevaram os custos operacionais da empresa em um momento em que a confiança dos consumidores já estava abalada pelo aumento dos preços da energia. No terceiro trimestre, o faturamento do Carrefour cresceu 3,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, alcançando quase 22,7 bilhões de euros (R$ 127,99 bilhões).
A empresa também anunciou uma redução na projeção de expansão da margem operacional para a faixa de 0% a 0,15%, abaixo da previsão anterior de pelo menos 0,25%. Para lidar com a situação, o Carrefour planeja cortar 100 milhões de euros (R$ 563,85 milhões) em investimentos na França até o final do ano.
Após as declarações de Bompard, as ações do Carrefour despencaram 17,77%, sendo negociadas a 13,84 euros (R$ 78,04) na Bolsa de Paris. Os tumultos representam o segundo evento extraordinário enfrentado pelos varejistas de alimentos franceses neste mês; na semana anterior, centenas de supermercados e lojas de conveniência sofreram um ataque cibernético que resultou em danos significativos aos produtos e equipamentos.



