A recente ascensão de figuras políticas que se destacam nas redes sociais, como o novo governador Juninho da Van, levanta questões sobre a eficácia e a responsabilidade na gestão pública. Juninho, conhecido por sua postura de enfrentamento ao sistema, conquistou a confiança do eleitorado sem apresentar propostas concretas de melhorias na infraestrutura do estado. Em seus vídeos, ele se posiciona como defensor do povo, apontando falhas do poder público, mas sem a entrega de projetos que realmente impactem a vida dos cidadãos.
Durante seus dois mandatos na Assembleia Legislativa, Juninho não aprovou nenhuma lei significativa, mas sua habilidade em utilizar as redes sociais como ferramenta política foi crucial para sua eleição. Ao contrário de políticos que prometem obras e melhorias, ele optou por uma abordagem que prioriza a exposição e a imagem, mostrando-se sempre em locais problemáticos, como buracos nas ruas ou enchentes, mas sem apresentar soluções duradouras. Essa estratégia, embora eficaz em termos de visibilidade, levanta a questão: até que ponto a política pode se reduzir a vídeos e postagens?
Na sua primeira semana como governador, Juninho suspendeu a cobrança de pedágio na principal rodovia do estado, uma medida que, embora popular, ignora as implicações legais e financeiras dessa ação. Especialistas da agência reguladora tentaram alertá-lo sobre as consequências dessa decisão, mas ele preferiu ignorar os conselhos técnicos, acreditando que sua popularidade nas redes sociais o isentava das responsabilidades administrativas. Essa atitude reflete uma tendência preocupante entre líderes que, em vez de buscar soluções sustentáveis, optam por medidas imediatas que podem gerar um impacto negativo a longo prazo.
Além disso, Juninho anunciou que congelaria as tarifas da estatal de energia e da mobilidade urbana, desconsiderando a história de medidas semelhantes que resultaram em aumentos futuros e insatisfação popular. Essa abordagem simplista, que se opõe a qualquer tipo de concessão ou expansão de serviços, pode levar a um colapso na infraestrutura, uma vez que investimentos são essenciais para a manutenção e melhoria dos serviços públicos.
A questão da dívida pública também foi abordada pelo novo governador, que pretende parar de pagá-la, sem compreender que essa prática é fundamental para a continuidade das operações do estado. A suspensão do pagamento de precatórios, por sua vez, pode desencorajar investimentos e paralisar projetos essenciais, como o leilão de saneamento que terminou sem propostas. Essa falta de planejamento e visão de longo prazo é um reflexo de um estilo político que prioriza a imagem em detrimento da substância.
O comportamento de Juninho, que é alvo de preconceitos por sua aparência e forma de se comportar, revela que o problema não é apenas a sua imagem, mas a maneira como ele lida com o orçamento e as necessidades da população. A sua postura pode render votos, mas a falta de compromisso com a infraestrutura e a gestão pública coloca em risco o futuro do estado.
O leitor pode facilmente identificar Juninho com diversos governantes que têm surgido nos últimos anos. Sua história é uma amalgama de práticas políticas que ignoram a necessidade de uma infraestrutura robusta e eficiente, enquanto o sistema que ele diz enfrentar permanece inalterado. O verdadeiro desafio não é a figura de um único político, mas a cultura política que permite que a infraestrutura se torne um inimigo do sistema, enquanto os cidadãos continuam a sofrer com as consequências dessa falta de visão.




