A Polícia Federal prendeu, na manhã desta quarta-feira (15), dois artistas proeminentes do funk nacional, MC Poze do Rodo e MC Ryan SP, durante a Operação NarcoFluxo. A operação investiga um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou mais de R$ 1,6 bilhão, com vínculos diretos ao tráfico de drogas. Ambos os cantores são conhecidos não apenas por sua música, mas também por seu apoio explícito ao presidente Lula nas eleições de 2022.
lavagem: cenário e impactos
As investigações revelaram que Marlon Brendon Coelho Couto da Silva, o MC Poze do Rodo, possui um histórico criminal que inclui passagens anteriores ligadas a crimes. Em maio de 2025, ele foi detido pela Polícia Civil do Rio de Janeiro por apologia ao crime e suspeita de envolvimento com o tráfico. Na ocasião, os investigadores apontaram que o artista realizava shows em áreas dominadas pelo Comando Vermelho, onde a presença de criminosos armados era garantida, além de composições que exaltavam o tráfico e incentivavam conflitos entre facções.
Durante sua triagem no sistema penitenciário, Poze declarou “Comando Vermelho” como sua ideologia, conforme registros oficiais. Após cinco dias de detenção, a Justiça concedeu habeas corpus, mas impôs medidas cautelares que restringem sua liberdade.
MC Ryan SP, por sua vez, também foi alvo da operação. Em 2022, ele se destacou ao divulgar vídeos em que fazia o gesto do “L”, símbolo da campanha de Lula, e lançou a música “Vai dar PT”, que se tornou viral durante o período eleitoral. Sua participação em eventos políticos foi notável, onde ele não hesitou em expressar seu apoio ao então candidato, afirmando: “Cada um escolhe o que quer ser, e eu sou Lula, porra”, enquanto incitava o público a se unir em coro.
Além de Poze e Ryan, outros artistas do funk e do rap também se manifestaram abertamente em apoio à candidatura petista, utilizando suas redes sociais e apresentações ao vivo para mobilizar seus seguidores durante o processo eleitoral. Essa conexão entre a música e a política gerou debates acalorados sobre o papel dos artistas na sociedade e suas influências nas decisões eleitorais.
A Operação NarcoFluxo continua em andamento, com a Polícia Federal aprofundando as investigações sobre o esquema financeiro em questão e buscando identificar outros possíveis envolvidos. A repercussão dessas prisões nas redes sociais e na mídia é intensa, refletindo a complexidade da relação entre cultura, política e criminalidade no Brasil contemporâneo.
Com a prisão de figuras tão proeminentes, a sociedade se vê diante de questões importantes sobre a responsabilidade dos artistas e a influência que eles exercem sobre seus fãs. O desenrolar dessa operação poderá trazer à tona novos desdobramentos e implicações para o cenário do funk e da política brasileira.








