As propostas econômicas dos candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) revelam diferenças significativas na gestão das contas públicas, na política tributária e nas relações de trabalho. Enquanto Lula aposta na continuidade do modelo atual, priorizando investimentos públicos e programas sociais, Flávio defende a redução do Estado, com cortes de despesas e diminuição de impostos.
Ambas as campanhas reconhecem a necessidade de enfrentar o crescimento da dívida pública, mas divergem nos métodos para equilibrar as contas e estimular a economia. O contraste principal está nos instrumentos que cada candidato propõe para alcançar esses objetivos.
Resumo das propostas econômicas
Lula
- Continuidade com ampliação de investimentos e políticas sociais.
- Manutenção do arcabouço fiscal, com controle do crescimento das despesas e busca por resultados fiscais melhores através do crescimento econômico.
- Aprofundamento da tributação progressiva, com maior contribuição das rendas mais altas.
- Valorização real do salário mínimo e redução da jornada semanal para 40 horas, sem corte salarial.
- Ampliação de infraestrutura, reindustrialização, inovação e energia renovável.
- Manutenção do Bolsa Família e expansão de políticas habitacionais e de combate à fome.
Flávio Bolsonaro
- Redução do Estado e contenção das despesas.
- Criação de uma nova regra fiscal com limites para despesas, vinculada à trajetória da dívida.
- Redução de ministérios e cargos comissionados.
- Propostas de reduções tributárias e simplificação regulatória.
- Criação de modalidades de contratação com menor custo para empregadores.
- Estímulo ao agronegócio, melhoria na logística e apoio à produção nacional de fertilizantes.
Ajuste fiscal
Lula pretende manter o arcabouço fiscal, que estabelece limites para o crescimento das despesas públicas, combinando controle de gastos com busca por maior arrecadação e crescimento econômico. A avaliação da equipe é que a expansão da atividade econômica pode elevar a arrecadação e sustentar políticas públicas.
Por outro lado, Flávio Bolsonaro propõe uma nova regra fiscal que vincula as despesas à trajetória da dívida, além de medidas para reduzir despesas administrativas e simplificar a tributação. Em agosto, sua coordenadora econômica afirmou que o plano inclui um ajuste de 1,5% do PIB, cerca de R$ 190 bilhões, em relação ao PIB de 2025.
As implicações desses cortes sobre os serviços públicos ainda precisam ser esclarecidas. Flávio negou que acabará com programas sociais como o Bolsa Família.
Impostos e investimentos
Lula defende uma maior progressividade na tributação, com uma participação proporcionalmente maior das rendas mais altas no financiamento do Estado. O governo também pretende continuar os investimentos do Novo PAC e incentivar a indústria nacional.
Flávio, por sua vez, prioriza a redução de impostos e a diminuição dos custos para as empresas. Suas propostas para o agronegócio incluem melhorias na logística e estímulo à produção nacional de fertilizantes. A execução dessas medidas dependerá da compatibilidade entre as reduções tributárias e as metas fiscais.
Trabalho e renda
Lula defende a valorização real do salário mínimo e a redução da jornada semanal para 40 horas, priorizando a manutenção de direitos trabalhistas. Flávio, por outro lado, enfatiza a redução dos custos de contratação e a flexibilização de modalidades de trabalho, com impactos potenciais sobre salários e formalização.
Programas sociais
Lula pretende manter e aperfeiçoar programas como Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida, enquanto Flávio também se compromete a manter esses programas, mas a questão central é como financiar essas iniciativas diante das metas de ajuste fiscal.
Governos anteriores
Entre 2019 e 2022, o governo Jair Bolsonaro enfrentou a pandemia de covid-19 e os efeitos da guerra na Ucrânia, resultando em um crescimento médio do PIB de 1,4% ao ano. O governo adotou medidas emergenciais e encerrou 2022 com a dívida bruta em torno de 72% do PIB. Já no terceiro mandato de Lula, entre 2023 e 2025, o PIB cresceu cerca de 2,9% ao ano, com ampliação de investimentos e políticas sociais. A dívida pública, no entanto, voltou a crescer, atingindo 82,9% do PIB em agosto deste ano. Essa comparação exige considerar o contexto da pandemia e as decisões de cada governo.




