Em um movimento estratégico, a China acena à direita latino-americana, destacando a disposição de Pequim em cultivar relações amistosas com todos os países da região, independentemente do alinhamento político. A declaração foi feita pelo encarregado especial da China para a América Latina, Qiu Xiaoqi, em um evento que ocorreu na segunda-feira (12), em meio às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais no Brasil. Qiu enfatizou que a China não traça linhas ideológicas e que respeita as escolhas políticas dos povos latino-americanos, reiterando o princípio da não interferência em assuntos internos. O contexto dessa declaração ganha relevância com Flávio Bolsonaro, do PL, liderando as pesquisas de opinião para a presidência do Brasil. Embora a autoridade chinesa não tenha mencionado nomes específicos de candidatos ou líderes, suas palavras refletem uma tentativa de Pequim de se posicionar como um parceiro neutro na dinâmica política da América Latina. “A China está disposta a manter trocas amistosas com todos os países da América Latina e do Caribe”, afirmou Qiu, ressaltando que a única condição é o respeito ao princípio de ‘Uma só China’, que considera Taiwan parte do território chinês. A questão de Taiwan é delicada e tem implicações diretas nas relações diplomáticas. Países que reconhecem Taiwan como uma nação independente enfrentam consequências, como a falta de relações diplomáticas com a China. O Paraguai, por exemplo, é o único país da América do Sul que mantém esse reconhecimento, o que resultou em tensões com Pequim. Recentemente, o presidente paraguaio, Santiago Peña, visitou Taiwan, o que levou a China a protestar oficialmente e a sancionar um ministro paraguaio. A postura da China em relação à América Latina, especialmente em tempos de incerteza política, mostra um desejo de expandir sua influência na região. O Brasil, que reconhece o princípio de ‘Uma só China’, é visto como um parceiro estratégico para Pequim, especialmente com a possibilidade de um governo de direita se consolidando no país. A relação entre Brasil e China, portanto, poderá passar por transformações significativas, dependendo do resultado das eleições e do alinhamento político que se seguir. Com as eleições se aproximando, a atenção se volta para como as potências globais, como a China, estão se posicionando em relação à América Latina e quais serão as implicações para o futuro das relações diplomáticas e comerciais na região.



