Post: Euforia no mercado depende de ajuste fiscal, afirmam economistas

Economistas afirmam que a euforia no mercado financeiro depende de um ajuste fiscal eficaz, crucial para a confiança dos investidores.
Euforia no mercado depende de ajuste fiscal, afirmam economistas

O recente entusiasmo no mercado financeiro, impulsionado pela vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) sobre Lula (PT) no primeiro turno das eleições, resultou em uma queda acentuada nos juros futuros, com a Bolsa superando os 200 mil pontos e o dólar caindo abaixo de R$ 5. Essa reação positiva reflete, em parte, a expectativa de uma agenda de ajuste fiscal em um possível governo de oposição. Economistas consultados pela Folha destacam que a continuidade desse movimento otimista está diretamente ligada à capacidade do próximo governo, seja sob a liderança de Flávio ou Lula, de melhorar a trajetória das contas públicas. A percepção de um maior controle sobre a dívida pública pode reduzir o prêmio de risco exigido pelos investidores, abrindo espaço para a queda dos juros e favorecendo ativos de renda variável. Por outro lado, a persistência de déficits e o aumento da dívida pública dificultam a redução da Selic, mantendo a cautela dos investidores e favorecendo aplicações de renda fixa. Segundo as projeções do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, a dívida bruta do Brasil, que inclui o governo federal, o INSS e os governos estaduais e municipais, deve encerrar 2026 em 83,7% do PIB, o maior nível em cinco anos. Durante o atual mandato de Lula, a dívida deve avançar cerca de 12 pontos percentuais até o fim do ano. No governo de Jair Bolsonaro (PL), esse indicador recuou de 73,72% para 71,68% do PIB, embora tenha atingido 87,66% em outubro de 2020, durante a pandemia. Esse indicador é um dos principais observados pelos investidores para avaliar a sustentabilidade das contas públicas do país. A expectativa de maior disciplina fiscal sob a liderança de Flávio foi um dos fatores que contribuíram para a reação positiva do mercado após o primeiro turno das eleições. No pregão seguinte, investidores estrangeiros injetaram mais de R$ 10 bilhões na Bolsa brasileira. A euforia também se refletiu na percepção de risco do país, com o spread do credit default swap (CDS) de cinco anos, um contrato de proteção contra calote, caindo para 108,81 pontos, o menor nível desde maio de 2024. Esse indicador funciona como um seguro contra a inadimplência: quanto menor o spread, menor a percepção de risco. Dessa forma, a continuidade desse cenário otimista no mercado financeiro está atrelada à capacidade do próximo governo de implementar um ajuste fiscal efetivo, que possa restaurar a confiança dos investidores e garantir um ambiente econômico mais estável.

Últimas Notícias