A recente movimentação de Flávio Bolsonaro (PL) em relação ao plano econômico levanta questões sobre a transparência e a viabilidade de suas propostas. A equipe do candidato tem desautorizado diversas versões que circulam sobre suas intenções, especialmente no que diz respeito ao ajuste fiscal. Entre as principais afirmações, está a negação de que o reajuste do piso de benefícios previdenciários e assistenciais será desvinculado do salário-mínimo. Além disso, a equipe garante que a despesa federal mínima obrigatória em educação e saúde não será desassociada da receita do governo, e que o salário-mínimo continuará a ter reajuste real, acima da inflação.
No entanto, a realidade pode ser mais complexa. O piso de benefícios sociais poderá, de fato, permanecer vinculado ao salário-mínimo, mas isso não garante que o mínimo terá um aumento significativo além da inflação. Um reajuste de apenas 0,1 ponto percentual acima da inflação, por exemplo, poderia ser considerado um aumento real, mas é uma medida que pode não atender às necessidades da população.
Os números também não são animadores. Nos últimos 12 meses, a despesa federal aumentou em R$ 238,5 bilhões, sendo que mais da metade desse montante se refere a despesas sociais obrigatórias, como benefícios da Previdência, saúde e educação. Isso significa que, mesmo sem cortes, as despesas com esses setores tendem a crescer, dado o aumento no número de beneficiários.
A proposta de contenção de R$ 200 bilhões no aumento da despesa, que está sendo discutida, parece mais uma estratégia de comunicação do que um plano viável. Para que essa meta seja cumprida, seria necessário não apenas cortar gastos, mas também reverter promessas feitas anteriormente, o que poderia ser interpretado como um estelionato eleitoral. Além disso, o plano de Flávio Bolsonaro não parece contemplar um aumento no gasto social ou pessoal, o que poderia levar a uma situação insustentável para a administração federal.
Por fim, a possibilidade de que Flávio Bolsonaro recorra a cortes no “gasto tributário” — cancelando reduções de impostos — também levanta questões sobre sua real intenção de manter a carga tributária inalterada, uma promessa que ele fez durante a campanha. Essa abordagem, embora possa ser considerada justa, na prática, representa um aumento de impostos, algo que o candidato da extrema direita se comprometeu a evitar. Portanto, a falta de clareza e a confusão em torno de suas propostas financeiras podem indicar um risco significativo para o eleitor, que precisa estar atento às implicações dessas promessas.




