Jaguaruna, localizada no litoral sul de Santa Catarina, recebeu recentemente o título de Capital Nacional da Maior Onda do Brasil, conforme a Lei nº 15.461, sancionada em 7 de julho. A formalização do reconhecimento se dá em função da Laje da Jagua, uma formação rochosa situada a cerca de cinco quilômetros da costa, onde o surfista Lucas Chumbo surfou uma onda de 14,82 metros em 30 de julho de 2025. Este feito foi registrado como o maior já surfado no Brasil, superando o recorde anterior de 13,7 metros e colocando a cidade no mapa internacional do surfe de ondas grandes.
A Laje da Jagua, conhecida entre os surfistas como a “Nazaré Brasileira”, é um ponto estratégico para a formação de ondas de grande porte. A Big Wave Brasil, entidade que acompanha a região desde 2003, organiza competições e eventos relacionados ao surfe de ondas grandes, e Jaguaruna está na expectativa de sediar o Mormaii Big Wave Challenge, a primeira etapa de um campeonato mundial de ondas grandes na remada no Brasil.
O recorde de Chumbo não apenas elevou a fama da Laje da Jagua, mas também trouxe à tona discussões sobre a possibilidade de ondas ainda maiores terem sido formadas na região, mas sem registros adequados. O professor de Oceanografia Física da Universidade do Vale do Itajaí, Mauro Michelena Andrade, explica que a medição da onda surfada se baseia em material disponível e que a falta de equipamentos de monitoramento contínuo impede a confirmação de ondas maiores que possam ter ocorrido em momentos em que não havia surfistas no local.
Antes do feito de Chumbo, Thiago Jacaré, um dos fundadores da Big Wave Brasil, havia surfado uma onda de 13,7 metros e relata já ter experimentado ondas próximas de 14 metros, mas sem registros técnicos que pudessem ser comparados ao feito atual. A medição de uma onda envolve diversos fatores, como a previsão do swell, a mobilização de surfistas e a documentação adequada, o que torna cada registro um desafio.
Em maio deste ano, a Laje da Jagua também foi palco do recorde feminino, quando a paranaense Michaela Fregonese surfou uma onda de 12,25 metros, consolidando o espaço da mulher no surfe de ondas grandes no Brasil. A cidade de Jaguaruna, com a nova designação, busca transformar a visibilidade obtida em uma estratégia de turismo esportivo, integrando-se à Rota do Big Surf, que reúne municípios como Laguna, Imbituba, Garopaba e Tubarão.
O secretário municipal de Turismo, Dante Gentil, acredita que o título de Capital Nacional da Maior Onda do Brasil proporciona uma chancela para desenvolver produtos e experiências turísticas em torno da Laje da Jagua. Entre as iniciativas em estudo, está a criação de passeios náuticos até a formação rochosa, além de experiências em terra que incluem um acervo técnico e um monumento em tamanho real de uma onda gigante. A prefeitura também investiu em infraestrutura, como motonáuticas para apoio logístico a atletas e um aporte de R$ 300 mil para o Mormaii Big Wave Challenge.
Entretanto, o desafio de manter o turismo ativo fora da temporada de ondas gigantes é uma preocupação constante. Gentil reconhece que a cidade possui uma alta taxa de imóveis de veraneio vazios fora da alta temporada e que a oferta de serviços e experiências turísticas ainda precisa ser aprimorada. “É preciso criar uma rede de serviços e experiências para que toda essa vocação turística se sustente ao longo do tempo”, afirma.
A expectativa é que a Laje da Jagua continue a ser um ponto de referência para o surfe de ondas grandes e que Jaguaruna se consolide como um destino turístico de destaque, atraindo surfistas e visitantes de todo o mundo, especialmente durante eventos como o Mormaii Big Wave Challenge, que promete reunir atletas de diversas nacionalidades e proporcionar um espetáculo de adrenalina e emoção nas águas catarinenses.




