Após a recente proibição das apostas online pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o setor de apostas no Brasil enfrenta uma onda de demissões. Um levantamento realizado pela Amig (Associação de Mulheres da Indústria do Gaming) indica que pelo menos 36 das 188 marcas autorizadas começaram a demitir funcionários até a última segunda-feira (5). As dispensas estão concentradas em empresas de pequeno e médio porte, e o número total de demissões ainda não inclui os fornecedores do setor.
A H2Bet, uma plataforma de apostas originária de clubes de pôquer, anunciou a demissão de 170 de seus 270 funcionários. O diretor de operações, Diego Breda de Carvalho, expressou sua frustração em uma publicação no Instagram, afirmando que esse foi um dos piores dias de sua carreira. “Mais de 170 pessoas foram comunicadas que perderam seus trabalhos simplesmente porque Lula decidiu que o trabalho delas não existiria mais”, lamentou o executivo.
Além da H2Bet, outras empresas também estão enfrentando dificuldades. O site Rivalo, por exemplo, demitiu quase toda a sua equipe de cerca de 100 pessoas, com os pedidos de aviso prévio iniciando na semana anterior. O diretor da Rivalo, Daniel Eskinazi, explicou que as demissões foram consequência da medida provisória n.º 1.394 de 2026, que suspendeu as operações da empresa. Ele mencionou que a companhia mantém alguns colaboradores na expectativa de uma possível retomada das atividades, caso o mercado volte a ser regulamentado.
O impacto das demissões não se limita apenas às plataformas de apostas. A Alob Sports, que promove eventos e marketing, também precisou desligar funcionários devido à suspensão das apostas. Bernardo Pontes, sócio-fundador da empresa, destacou que o efeito é em cascata, afetando empresas de cenografia, segurança e promoção de eventos que eram contratadas pela Alob.
Um estudo da consultoria LCA, encomendado pelas apostas, revela que o setor emprega diretamente cerca de 10 mil pessoas no Brasil e gera outros 5 mil empregos de forma indireta. Com a expectativa de reversão do veto na Justiça, muitos executivos do setor estão preocupados com a insegurança jurídica e a possibilidade de algumas empresas encerrarem suas operações permanentemente.
Empresas com estruturas multinacionais e reservas financeiras, como Betano e Superbet, estão conseguindo manter seus funcionários, argumentando que esses postos são difíceis de repor. Enquanto isso, a ANJL (Associação Nacional de Jogos e Loterias) convocou as empresas do setor a preencher um formulário sobre as demissões, mas ainda não há dados concretos sobre o total de cortes realizados. O cenário atual é de incerteza, e o futuro das apostas online no Brasil permanece indefinido.



