O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Paraná (OAB-PR), Luiz Fernando Casagrande Pereira, tem se destacado no debate sobre a relação entre o Judiciário e a confiança da população nas instituições. Desde que assumiu a presidência em 2025, Pereira tem adotado uma postura crítica em relação a episódios envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), defendendo investigações quando surgem suspeitas, independentemente do viés político dos envolvidos.
Às vésperas do primeiro turno das Eleições 2026, marcado para este domingo (4), Pereira conversou com a Tribuna do Paraná e abordou a polarização política, que ele descreve como uma “polarização despolitizada”. Segundo ele, essa situação transforma disputas políticas em conflitos entre inimigos, o que pode prejudicar o debate eleitoral. Além disso, o presidente da OAB-PR analisou temas relevantes para o Paraná, como a violência contra a mulher, o sistema prisional e a segurança pública. Ao discutir o feminicídio, Pereira critica a ideia de aumentar penas como solução, enfatizando a importância de medidas preventivas e de conscientização. “As delegacias da mulher e grupos de conscientização têm mostrado resultados positivos na redução da violência”, afirmou.
Em sua avaliação sobre a atuação da OAB até o momento, Pereira se mostrou satisfeito. Ele destacou que a entidade atua em três frentes: a defesa dos interesses dos advogados, o diálogo para melhorar o sistema de Justiça e o compromisso com a sociedade. “Temos que lutar por um Poder Judiciário melhor e por um país melhor”, disse. Ele também mencionou a importância da OAB em criticar o Supremo e o Senado, especialmente em relação a propostas como a PEC da Blindagem.
A OAB-PR, com 97 mil advogados e 22 mil sociedades de advogados, tem um papel significativo nas eleições, com 115 candidatos com formação em Direito, o segundo maior grupo profissional. Pereira acredita que a formação jurídica é essencial para os parlamentares, pois a criação de leis é uma das principais funções do Legislativo.
Durante a entrevista, o presidente da OAB-PR também abordou a questão da superlotação do sistema prisional. Ele criticou propostas que se inspiram em modelos de segurança de outros países, como o de El Salvador, que desrespeitam garantias individuais. Pereira defendeu a necessidade de um sistema nacional mais integrado para combater o crime organizado, ressaltando que o Paraná não pode enfrentar essa questão sozinho. A Operação Panóptico, que recentemente mirou facções criminosas, exemplifica a urgência de uma abordagem mais eficaz. Pereira enfatizou que a superlotação das cadeias é uma realidade preocupante e que a criação da Polícia Penal foi um passo positivo, mas ainda há muito a ser feito. Ele expressou preocupação com as condições dos presídios e a necessidade de um modelo que respeite os direitos humanos.
Por fim, ao ser questionado sobre a eficácia do sistema prisional atual, Pereira reconheceu que faltam vagas e que a situação é crítica. Ele reafirmou que a OAB-PR continuará a trabalhar em prol de um sistema de Justiça mais eficiente e justo, buscando soluções que vão além do endurecimento das penas e promovam a prevenção e a ressocialização dos indivíduos.



