Post: Iraque celebra soberania após a retirada das tropas dos EUA

Iraque celebra o fim da missão militar dos EUA, destacando um novo capítulo de soberania e desafios com milícias locais.
Iraque celebra soberania após a retirada das tropas dos EUA

Após mais de uma década de presença militar, a coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos concluiu sua missão no Iraque, um marco que o governo iraquiano considera crucial para a afirmação de sua soberania. O primeiro-ministro Ali al-Zaidi anunciou, em cerimônia realizada na quarta-feira (30), o fim da operação, destacando que este é um novo capítulo para o país, caracterizado pela força de suas instituições e pela unidade nas decisões. “Estamos iniciando uma nova etapa, definida pela soberania do Iraque e por alianças equilibradas com nossos amigos”, afirmou Zaidi.

O Departamento de Defesa dos EUA confirmou oficialmente o encerramento da operação “Resolução Inerente”, que havia sido estabelecida para combater o avanço do Estado Islâmico, que em 2014 conquistou vastas áreas no Iraque e na Síria. A derrota do grupo extremista, que resultou em massacres e na escravização de minorias, foi possível graças à colaboração entre as forças iraquianas e os combatentes curdos. Embora o Estado Islâmico tenha sido derrotado em 2017 no Iraque, a coalizão continuou na região para enfrentar os remanescentes do grupo.

Em 2024, Bagdá e Washington concordaram em encerrar a missão militar, levando à retirada gradual das tropas, que se concentrou na região autônoma do Curdistão, no norte do Iraque. Para o governo iraquiano, a saída da coalizão representa uma oportunidade para que as milícias pró-Irã não tenham mais justificativas para manter seus arsenais. O primeiro dia após a retirada foi declarado por Zaidi como o Dia da Soberania.

Os líderes das três esferas do governo iraquiano, Legislativo, Executivo e Judiciário, consideraram o momento um marco para a consolidação do Estado e suas instituições. No entanto, eles alertaram que é fundamental enfrentar a presença de armas fora do controle do governo, estabelecendo prazos para a desmobilização das facções armadas.

Inicialmente, o governo havia estipulado o dia 30 de setembro como prazo final para o desarmamento das milícias, mas a data foi retirada para permitir negociações políticas sobre a regulamentação das armas. Muitas dessas facções, ligadas ao Irã, rejeitam o desarmamento, condicionando sua aceitação à retirada das tropas estrangeiras e ao fim da influência política e econômica dos EUA no país.

A milícia Kataib Hezbollah, que atua como representante da Guarda Revolucionária do Irã, declarou que a saída das forças americanas é um passo inicial rumo à plena soberania iraquiana, mas também ameaçou o governo de Zaidi, afirmando que um governo que não atue em benefício do povo será deposto por quaisquer meios necessários.

Durante a luta contra o Estado Islâmico, a coalizão internacional e as facções pró-iranianas enfrentaram um inimigo comum. Contudo, após a derrota do grupo jihadista, a presença da coalizão se tornou um ponto de discórdia entre as autoridades iraquianas e as facções ligadas ao Irã, que intensificaram os ataques contra as forças americanas na região do Curdistão, exigindo a retirada das tropas e realizando ataques com drones e mísseis, que resultaram em bombardeios de represália.

Os curdos de Erbil, capital do Curdistão, expressaram preocupação com a retirada das forças da coalizão, questionando quem irá protegê-los dos drones após a saída dos aparelhos de interceptação. A situação no Iraque continua complexa, com desafios significativos pela frente, enquanto o país busca reafirmar sua soberania e estabilidade em um cenário regional conturbado.

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