O Acordo de Paz de 2016, que visava encerrar um conflito armado de mais de cinco décadas na Colômbia, não conseguiu transformar as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em uma força política consolidada. Contudo, ele abriu caminhos significativos para a esquerda no país, refletindo um novo cenário político. Luis Alberto Albán Urbano, conhecido como Marcos Calarcá, foi um dos ex-guerrilheiros que viu a mudança em sua trajetória. Após anos de luta armada, ele se tornou deputado em 2018, representando o partido Comunes, que surgiu após a desmobilização das Farc. Albán relembra o momento em que recebeu a notícia de que seria candidato: “Foi um susto enorme no início, mas logo percebemos a importância de nos adaptarmos ao novo cenário político”. A entrega das armas e a formação do partido Comunes foram marcos do Acordo de Paz, que completou dez anos em 2026. No entanto, as eleições legislativas desse ano mostraram um desempenho alarmante para o partido, que não conseguiu eleger nenhum representante, evidenciando a fragilidade de sua posição política. Para Albán, essa queda não deve ser vista como um fracasso do acordo. Ele argumenta que o pacto possibilitou a ascensão de um governo de esquerda, liderado por Gustavo Petro, o primeiro da história recente da Colômbia. “O acordo abriu as portas para um governo que representa uma mudança real”, afirma. Essa perspectiva é compartilhada por especialistas, como Ángela Liliana Olaya Castro, que destaca que o Acordo de Paz fomentou um ambiente propício para debates políticos em diversos níveis. Desde a participação das Farc nas eleições de 2018, os desafios enfrentados pelos ex-guerrilheiros se tornaram evidentes. A sigla, que antes simbolizava resistência armada, agora tentava se estabelecer em um cenário político institucional, mas a desconfiança e os preconceitos ainda são barreiras significativas. Apesar das dificuldades, a narrativa do Acordo de Paz continua a ressoar na sociedade colombiana. Ele não apenas permitiu a entrada de novos atores políticos, mas também incentivou a discussão sobre questões sociais e políticas que antes eram consideradas tabus. A luta pela paz e pela inclusão política, portanto, continua a ser um tema central na Colômbia, refletindo a complexidade e a esperança de um futuro mais inclusivo para todos os cidadãos.



