Post: Fluxo de capital estrangeiro para ações dos EUA atinge recorde com queda na demanda por dívida

Fluxo de capital estrangeiro para ações dos EUA bate recorde, atingindo US$ 942 bilhões. Queda na demanda por títulos de dívida é evidente.
Fluxo de capital estrangeiro para ações dos EUA atinge recorde com queda na demanda por dívida

O fluxo de capital estrangeiro direcionado para ações nos Estados Unidos atingiu um patamar recorde, refletindo uma mudança significativa nas preferências dos investidores internacionais. Nos últimos 12 meses, as compras líquidas de ações americanas e cotas de fundos de investimento somaram impressionantes US$ 942 bilhões (aproximadamente R$ 4,8 trilhões), o maior valor desde 1985. Esse crescimento acentuado se deu em meio a uma queda no apetite por títulos de dívida, indicando uma clara migração de investimentos para o mercado acionário.

No segundo trimestre de 2026, as compras líquidas de ações e cotas de fundos por investidores estrangeiros alcançaram US$ 426 bilhões (R$ 2,2 trilhões), um aumento de 62% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse número superou o recorde trimestral anterior de US$ 299 bilhões (R$ 1,5 trilhão), registrado em 2022, segundo dados do Bureau of Economic Analysis, órgão responsável por compilar estatísticas econômicas nos EUA. Os dados mensais do Tesouro mostram que o fluxo de compras líquidas apresentou um crescimento contínuo ao longo do trimestre, começando com US$ 110 bilhões (R$ 570 bilhões) em abril e atingindo US$ 182 bilhões (R$ 944 bilhões) em junho, antes de uma desaceleração para US$ 3,7 bilhões (R$ 19,2 bilhões) em julho. Essa tendência de compras líquidas se manteve por seis meses consecutivos.

Esse aumento no investimento coincide com uma valorização significativa do S&P 500, que registrou uma alta de cerca de 20% no mesmo período. As ações de tecnologia, como as da Sandisk, Western Digital e Intel, foram algumas das que mais se destacaram. O desempenho do S&P 500 no segundo trimestre foi notável, com uma alta de 14,9%, o melhor resultado desde 2020, após um breve período de liquidação desencadeado pela guerra no Irã.

Comparando com o ano anterior, a demanda estrangeira por ações e fundos americanos foi substancialmente maior. No segundo trimestre de 2025, os investidores internacionais compraram US$ 263 bilhões (R$ 1,3 trilhão), e US$ 274 bilhões (R$ 1,4 trilhão) nos três últimos meses de 2025. Em contraste, a demanda por títulos de dívida dos EUA caiu. No segundo trimestre, os investidores internacionais compraram US$ 188 bilhões (R$ 975 bilhões) em títulos, uma redução em relação aos US$ 314 bilhões (R$ 1,6 trilhão) do primeiro trimestre.

Esse cenário se intensifica com a diminuição do volume de títulos do Tesouro dos EUA em posse da China, que caiu para US$ 618 bilhões (R$ 3,2 trilhões), o menor nível desde agosto de 2008. A China tem diversificado seus investimentos, buscando alternativas como ouro e títulos de agências. Segundo Brad Setser, pesquisador sênior do Council on Foreign Relations, parte do aumento no segundo trimestre pode ser atribuído a compras que foram adiadas devido a um primeiro trimestre fraco, mas a tendência geral aponta para um aumento contínuo nas compras de ações americanas.

Além disso, o desempenho robusto dos mercados acionários em países como Coreia do Sul e Taiwan levou investidores a buscar diversificação em ações americanas, reduzindo o risco de concentração em seus mercados locais. Setser observa que é raro ver saídas superiores a US$ 200 bilhões da Coreia para ações globais, especialmente para os EUA, o que demonstra uma mudança significativa nos padrões de investimento. “O mundo parece otimista em relação às ações americanas”, conclui Setser.

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