O ajuste fiscal se destaca como uma das prioridades para o próximo governo, mas sua implementação não pode ser vista como uma solução simples, segundo diversos executivos brasileiros. Em um evento promovido pela Folha em São Paulo, líderes empresariais ressaltaram que, antes de propor qualquer medida, é fundamental estabelecer um ambiente de confiança e tranquilidade em um país polarizado, além de apresentar uma visão clara sobre o futuro econômico do Brasil.
As declarações foram feitas durante o lançamento do C-Level, um novo site voltado para negócios e finanças, que também aborda temas como inteligência artificial, infraestrutura e regulação. O evento ocorreu no Hotel Fasano e contou com a presença de figuras proeminentes do setor, como Adriana Moucherek (Ajinomoto), Gustavo Assunção (Samsung) e Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central.
Fraga destacou que o próximo governo deve iniciar sua gestão promovendo um clima de paz e uma visão de futuro, acompanhada de ações concretas para enfrentar a situação econômica atual, que ele considera preocupante. “Não existe uma solução mágica para a economia”, afirmou, enfatizando que o ajuste fiscal é apenas uma parte do que precisa ser feito.
Leandro Vilain, presidente da Associação Brasileira de Bancos, também expressou ceticismo em relação a soluções rápidas. Ele afirmou que as contas públicas e a Previdência precisarão ser abordadas com seriedade. “Se fosse fácil, já teríamos resolvido”, disse, ressaltando que a taxa de juros será influenciada por uma série de fatores, tanto internos quanto externos.
Isaac Sidney, atual presidente da Febraban, sugeriu que a nova administração deveria apresentar imediatamente uma agenda de investimentos e produtividade, além de um plano de contenção fiscal. Segundo ele, a credibilidade das ações do governo será crucial para moldar as expectativas dos agentes econômicos.
Bruno Funchal, CEO da Bradesco Asset, ressaltou a importância de quebrar a percepção de que a dinâmica fiscal é insustentável. Ele defendeu que o próximo presidente deve entregar um Orçamento mais saudável e moderno, que reflita a realidade da população.
Piero Minardi, sócio-fundador da Lazuli Partners, enfatizou que a confiança dos investidores é essencial e que uma reforma séria da Previdência deve ser uma das primeiras ações do novo governo. Eduardo Monteiro, vice-presidente da Mosaic, também defendeu uma revisão da política monetária e fiscal como prioridade, destacando os desafios enfrentados pelo agronegócio devido aos altos juros.
André Porto, diretor executivo da Amobitec, destacou a necessidade de um debate amplo sobre a situação fiscal, afirmando que a estabilidade econômica é fundamental para um crescimento sustentável. Alessandro Cunha, CEO da Aviva, pediu uma reforma trabalhista mais profunda, enquanto Donovan Ferreti, da Ticketmaster Brasil, sugeriu que a regulamentação do setor de apostas deve ser uma prioridade para o novo governo.
Camila Pantera, co-CEO da N5X, destacou a importância de fortalecer as instituições reguladoras, como a CVM e o Banco Central, para garantir a implementação eficaz das políticas econômicas. Bruno Rossini, da 99, pediu medidas que aumentem a competitividade no setor de tecnologia, promovendo inovações e digitalização.
O evento também foi uma oportunidade para apresentar as iniciativas do C-Level e outras ações do jornal, conforme mencionado por Carlos Ponce de Leon e Sérgio Dávila, diretores da Folha. Eles ressaltaram que a credibilidade e o alcance são fundamentais para o sucesso das novas propostas.


