A recente alta dos combustíveis na França reacendeu temores de uma nova onda de revolta social, reminiscentes dos protestos dos coletes amarelos. A secretária-geral da CGT, Sophie Binet, criticou o pacote de medidas do governo, que inclui um novo cheque de 100 euros para motoristas com renda modesta, e convocou manifestações para o dia 29, focando em questões como salários e custo de vida.
O preço do litro do diesel atingiu um recorde histórico de 2,41 euros, refletindo um aumento significativo nos custos desde o início de setembro, quando o barril de Brent ultrapassou os 100 dólares. Essa situação levou a uma queda de 30% nas vendas de combustíveis nos últimos dias, conforme dados do Le Monde. Com a eleição presidencial se aproximando e um déficit público projetado de 5,4% do PIB, o governo francês se vê pressionado a agir rapidamente para evitar uma nova crise social.
Os coletes amarelos, que emergiram em 2018 em resposta a um aumento de impostos sobre combustíveis, ainda estão presentes na memória coletiva, com 88% da população acreditando que uma revolta semelhante é possível. O presidente Emmanuel Macron se reuniu com líderes partidários para discutir a crise, destacando a urgência de medidas eficazes para evitar um descontentamento generalizado.
A situação não é exclusiva da França. Na Alemanha, o diesel também atingiu preços recordes, enquanto no Reino Unido, o governo enfrenta pressão para ajudar famílias de baixa renda diante do aumento dos custos. A União Europeia, onde o diesel representa mais de 40% do consumo de petróleo, está atenta a essas mudanças, especialmente com a chegada do inverno e os estoques de gás se aproximando de 70% da capacidade.
A combinação de altos preços de combustíveis e a insatisfação social coloca o governo francês em uma posição delicada, onde medidas preventivas podem ser mais eficazes do que reações tardias a possíveis revoltas.




