O governo brasileiro se encontra em um momento delicado após a declaração emitida nesta terça-feira (22) pela aliança Escudo das Américas, que designou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. O comunicado, que pegou a diplomacia brasileira de surpresa, foi divulgado durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York, logo após os discursos dos presidentes Lula e Donald Trump.
A reação inicial do governo é de avaliação cautelosa do conteúdo da declaração, que foi assinada por países latino-americanos com gestões alinhadas à direita. A decisão dos Estados Unidos de classificar essas facções como terroristas foi acompanhada por medidas como congelamento de ativos e restrições de visto para indivíduos que apoiem esses grupos. Além do PCC e do CV, mais de duas dezenas de organizações de outros países da região também foram incluídas na lista, como a equatoriana Los Lobos.
Embora a diplomacia brasileira tenha se mostrado surpresa, fontes próximas ao governo afirmam que a decisão não foi totalmente inesperada. Alguns analistas consideram que os efeitos colaterais da declaração podem ser limitados, citando a postura do presidente argentino Javier Milei, que frequentemente se refere a essas organizações como narcoterroristas. A preocupação principal, segundo essas fontes, é sobre o uso da força na região, um tema que transcende a nova declaração.
O momento político em que a declaração foi emitida também é significativo. A aliança que a apoia é composta por países que têm uma relação próxima com a administração Trump e surge a poucas semanas das eleições brasileiras, em um contexto de tensões nas relações entre Brasília e Washington. Essa situação contrasta com as promessas de Lula, no início de seu mandato, de se posicionar como um líder regional. A realidade, conforme demonstram os últimos anos, é de um isolamento crescente dos governos de esquerda na América Latina.
Diante desse cenário, o governo brasileiro busca estratégias para mitigar o impacto da declaração e reafirmar sua posição na política regional. A resposta à aliança Escudo das Américas será crucial para a diplomacia brasileira, que se vê diante de um desafio significativo em suas relações exteriores.



