Na primeira eleição parlamentar realizada na Rússia após a invasão da Ucrânia, o partido Rússia Unida, que apoia o governo de Vladimir Putin, obteve uma vitória recorde, conquistando 355 das 450 cadeiras na Duma, a Câmara dos Deputados do país. A Comissão Eleitoral Central anunciou que a sigla, que já havia alcançado 343 cadeiras em 2016, agora amplia sua representação, enquanto seus aliados diretos garantirão outras 29 vagas. O Partido Comunista e o Novo Povo, por outro lado, sofreram perdas significativas, caindo de 57 para 40 e de 15 para 4 cadeiras, respectivamente. Com 95% dos votos apurados, o comparecimento foi de 60%, o maior desde 2003, o que, segundo analistas, reflete um apoio consolidado a Putin em meio ao conflito com a Ucrânia.
Esta eleição, no entanto, foi marcada por críticas à sua legitimidade, sendo considerada a menos livre da história da Rússia pós-soviética. Além das alegações habituais de fraude, o que se destacou foi a total eliminação da oposição. O único partido que se opõe à guerra, o liberal Iabloko, foi barrado de participar, e as leis aprovadas após a invasão punem severamente qualquer crítica ao conflito ou às Forças Armadas. Apesar de uma queda na avaliação positiva de Putin, que permanece acima de 70% nas pesquisas, a ausência de alternativas viáveis no cenário político russo reforça o controle do Kremlin.
A eleição também incluiu pleitos em nível regional, onde aliados de Putin, como o tchetcheno Ramzan Kadirov, foram reeleitos com margens impressionantes, como os 99,85% de votos recebidos por Kadirov. O resultado reflete não apenas a consolidação do poder de Putin, mas também a calcificação do sistema político russo, onde qualquer forma de oposição foi efetivamente silenciada. O pleito, portanto, não apenas reafirma a liderança de Putin, mas também evidencia a fragilidade da democracia na Rússia sob seu governo.



