A transformação da China nas últimas cinco décadas, de um país predominantemente rural a uma potência industrial e tecnológica, é claramente visível em Chongqing, uma metrópole que abriga 32 milhões de habitantes. Este município, um dos principais polos industriais do país, combina a rica arquitetura histórica chinesa com arranha-céus modernos e iluminados, além de edifícios que carregam as marcas do tempo.
Chongqing é famosa por seus complexos viadutos e pela peculiar estação de metrô que atravessa edifícios, refletindo a inovação e a adaptação urbanística da cidade. Durante uma recente visita da Agência Brasil, a cidade, conhecida como a “cidade dos rios” e das “neblinas”, revelou-se um lugar de contrastes, onde a natureza e a urbanização coexistem.
Definida por Pequim como uma cidade-chave para a economia nacional, Chongqing está localizada no sudoeste da China, cortada pelo rio Yangtzé, o maior da Ásia, e pelo rio Jialing. Com uma área de 82,4 mil quilômetros quadrados, quase o dobro do estado do Rio de Janeiro, Chongqing é o maior município em extensão territorial do mundo, com 8 milhões de pessoas vivendo no centro urbano e as demais 24 milhões distribuídas por 37 distritos.
Em 1997, a cidade foi elevada à categoria de município nacional, o que a tornou um alvo privilegiado das políticas de desenvolvimento do governo central. Essa mudança impulsionou a cidade a se tornar um dos principais centros industriais da China, onde 39 das 41 grandes indústrias do país e todas as 31 principais categorias de manufatura estão localizadas.
Estação de metrô Liziba, em Chongqing, que passa por dentro de edifícios. Foto: Huang Wei/Xinhua
Chongqing não é apenas um centro industrial; a cidade também se destaca na produção de veículos elétricos e abriga empresas de tecnologia militar, nuclear, naval e aeroespacial. Sua vida noturna vibrante, comércio ativo e a famosa culinária apimentada, especialmente os hot pots, têm contribuído para a sua crescente popularidade como destino turístico.
Recentemente, durante o Fórum da Civilização do Rio Yangtzé, o secretário do Comitê Municipal do Partido Comunista da China em Chongqing, Yuan Jiajun, enfatizou a importância da cidade na implementação do conceito de “civilização ecológica”, promovido pelo presidente Xi Jinping. “A prática dinâmica da construção de uma nova Chongqing moderna comprova plenamente a poderosa força da verdade e a grande capacidade prática do pensamento de Xi Jinping sobre o Socialismo com Características Chinesas para uma Nova Era”, afirmou.
Ponto estratégico da Nova Rota da Seda
Chongqing também se destaca como um dos principais centros logísticos da Nova Rota da Seda, um projeto de infraestrutura que visa conectar a China ao resto do mundo. Os produtos fabricados na cidade alcançam a Europa, Ásia Central e Rússia através de mais de 1,3 mil quilômetros de trens de alta velocidade e 4,7 mil quilômetros de rodovias expressas, além do rio Yangtzé, que transporta mercadorias até o porto de Xangai, a 1,4 mil quilômetros de distância.
O professor brasileiro André Pereira Reinnert Tokarski, que visitou Chongqing pela segunda vez, destacou a adaptação da cidade ao seu ambiente natural. “A cidade vivia brigando com o rio, lutando para sobreviver às ameaças que o rio eventualmente representava, até que buscou se reconciliar com a natureza”, disse. Tokarski coordena um projeto de cooperação entre Brasil e China que estuda os mecanismos de governança dos rios Yangtzé e Amazonas, ressaltando a importância da “civilização ecológica” na busca por um equilíbrio entre desenvolvimento e preservação ambiental.
Município de Chongqing, metrópole de 32 milhões de habitantes na China. Foto: Lucas Pordeus León/Agência Brasil
*Repórter viajou a convite do Comitê Municipal do Partido Comunista Chinês (CPC) em Chongqing e da Academia Chinesa de Ciências Sociais (CASS).




