A Huawei, gigante chinesa de tecnologia, anunciou que a demanda por seus chips de inteligência artificial (IA) superou a oferta, resultando em limitações na produção. Durante a conferência Huawei Connect, realizada em Xangai, o presidente rotativo da empresa, Eric Xu, revelou que a companhia não tem capacidade para atender nem mesmo à demanda interna na China, o que impede uma expansão significativa para o mercado internacional. Xu destacou que os testes do chip Ascend 950DT mostraram resultados promissores e que a Huawei está em diálogo ativo com desenvolvedores chineses para que comecem a treinar modelos de IA utilizando essa tecnologia já no próximo ano. Ele enfatizou: “Como não temos capacidade suficiente nem para atender à demanda na China, não temos planos de expandir plenamente para o mercado internacional”. Apesar das limitações, a Huawei está fornecendo equipamentos a alguns países onde a demanda é alta, embora os volumes ainda sejam restritos. Xu também comentou sobre a competição com a Nvidia, afirmando que, apesar da dificuldade em obter dados precisos sobre a participação de mercado da empresa americana na China, acredita que a participação do Ascend deve ser superior. Os comentários de Xu refletem o papel crescente da Huawei na estratégia da China para desenvolver uma indústria doméstica de computação em IA, especialmente em um contexto de restrições de exportação dos Estados Unidos que limitam o acesso a chips avançados e equipamentos de fabricação. Desde maio de 2019, a Huawei enfrenta sanções comerciais que complicam ainda mais sua operação. O presidente rotativo também fez um apelo por autossuficiência tecnológica, afirmando: “Não podemos aceitar um destino em que não tenhamos controle sobre nosso próprio futuro, determinado pela disposição de outros em vender ou não chips para a China”. Ele ressaltou a importância de buscar a autossuficiência em chips, tanto para o governo quanto para a indústria chinesa e a própria Huawei. A empresa está colocando a infraestrutura de IA como uma prioridade em sua estratégia de negócios. Guo Ping, presidente do conselho de supervisão da Huawei, declarou que a IA representa a “maior oportunidade” para a companhia, e que suas infraestruturas de computação e conectividade devem ter um papel comparável ao da Nvidia. Recentemente, a Huawei anunciou planos para lançar sua nova geração de processadores e sistemas de computação para IA. O chip Ascend 960DT está previsto para ser lançado no primeiro trimestre de 2027, antecipando-se em três trimestres ao cronograma anterior. Além disso, a empresa planeja lançar novos modelos de chips a cada ano, com os modelos 970 e 980 agendados para 2028 e 2029, respectivamente. A Huawei também está desenvolvendo uma nova arquitetura de computação chamada Peerium, que permitirá que até 1 milhão de processadores operem juntos como um único sistema. Essa inovação visa melhorar a eficiência no treinamento de modelos de IA, reduzindo o tempo de comunicação entre máquinas, que atualmente pode consumir mais de 40% do tempo total de treinamento. A empresa já instalou mais de 1.000 sistemas utilizando seus processadores Ascend 910C e os sistemas Ascend 950 já estão em uso comercial. Além disso, mais de 5.200 desenvolvedores estão trabalhando mensalmente em softwares para seus chips, com mais de 40 modelos de IA treinados diretamente em sua plataforma de computação. Enquanto isso, a Nvidia continua a dominar o mercado de software com sua plataforma CUDA, amplamente utilizada para o desenvolvimento de aplicações de IA. A fabricante americana não respondeu a solicitações de comentários sobre a situação atual do mercado. Diante desse cenário, a Huawei se posiciona como um jogador importante na corrida pela liderança em tecnologia de IA, buscando não apenas atender à demanda interna, mas também se preparar para um futuro onde a autossuficiência em tecnologia se torne cada vez mais crucial.




