A Superintendência-Geral do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) deu luz verde, nesta segunda-feira (14), para a compra da Nova AVB S.A. pela Globe Investimentos S.A., pertencente aos irmãos Wesley e Joesley Batista. Essa aquisição marca um passo significativo no controle da Avibras Aeroco Indústria Aeroespacial, uma empresa que atua nos setores de defesa e espacial, fabricando sistemas de artilharia, mísseis e soluções antiaéreas. O antigo proprietário da companhia era o fundo de investimento Brasil Crédito.
A transação será realizada por meio da Globe Investimentos, que é a family office dos irmãos Batista. A J&F, conglomerado que inclui empresas como a JBS e a Âmbar Energia, foi mencionada no pedido de autorização ao Cade. O parecer da Superintendência do Cade, assinado nesta segunda, classificou a operação como uma “substituição de agente econômico”, uma vez que a J&F não tinha atuação anterior no mercado de defesa, o que elimina preocupações de sobreposição horizontal ou integração vertical.
Os valores envolvidos na transação permanecem em sigilo, mas a Globe havia protocolado o pedido de autorização para a compra em agosto. Com a aprovação agora concedida, o caso só será encaminhado ao Tribunal do Cade se houver contestações à aquisição da Avibras.
A Avibras, que enfrentou dificuldades financeiras, entrou em recuperação judicial em março de 2022 e ficou inativa por cerca de três anos devido a greves de funcionários por falta de pagamento. Fundada em 1961 por engenheiros do ITA, a empresa precisou se reinventar após a criação da Embraer em 1969, passando a desenvolver tecnologia e equipamentos militares sob a liderança de João Verdi Carvalho Leite.
Em 2008, Sami Hassuani assumiu a presidência e ampliou a atuação internacional da empresa, que foi incluída no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) com a linha Astros 2020. Desde 2016, o comando ficou a cargo de João Brasil Carvalho Leite, filho do fundador. A pandemia afetou a demanda, levando a empresa a buscar fusões, com negociações com grupos da Austrália, Brasil, Qatar, China e Arábia Saudita, mas sem sucesso até o momento.
Em 2025, a Brasil Crédito tornou-se controladora ao adquirir a dívida de um acionista indonésio, em um acordo com João Brasil. Essa operação foi contestada pelo banco Safra, que a considerou ilícita, assim como pelos bancos Fibra e Sofisa, mas o Tribunal de Justiça de São Paulo rejeitou os recursos.



