O recente aumento nos preços do petróleo reacendeu o interesse global pelo hidrogênio limpo, uma alternativa mais sustentável e menos dependente de combustíveis fósseis. François Jackow, CEO da Air Liquide, destacou que a situação atual levou governos de diversos países a reconsiderar o uso do hidrogênio como uma solução viável, especialmente após os impactos da guerra no Irã, que resultaram em um aumento significativo nos custos de energia.
Jackow mencionou que, nos primeiros meses do conflito, os países importadores de energia gastaram mais de US$ 100 bilhões a mais do que o previsto devido aos preços inflacionados dos combustíveis. Essa situação criou uma nova urgência para reduzir a dependência de combustíveis fósseis, com o hidrogênio se apresentando como uma solução não apenas para a descarbonização, mas também para garantir a segurança energética. Ele afirmou que o investimento necessário para acelerar o ecossistema do hidrogênio é pequeno em comparação com os custos totais enfrentados durante crises energéticas.
Historicamente, crises no setor de petróleo já despertaram interesse em alternativas energéticas. Um exemplo notável foi o uso de um Cadillac movido a hidrogênio na posse do presidente Jimmy Carter em 1977, após a crise do petróleo árabe. O Hydrogen Council, em seu relatório anual, revelou que já foram alocados US$ 130 bilhões para projetos de hidrogênio limpo, com 90% desses projetos em construção ou operação. A pesquisa indicou que dois terços dos executivos do setor acreditam que a segurança energética e a resiliência são fatores cruciais para o renovado interesse pelo hidrogênio.
O hidrogênio desempenha um papel importante em diversas indústrias, sendo amplamente utilizado em refinarias para transformar petróleo bruto em combustíveis e na produção de fertilizantes. Além disso, ele pode ser uma solução eficaz para armazenar energia e alimentar veículos. Embora a maior parte do hidrogênio seja atualmente produzida a partir de gás natural, um processo que emite dióxido de carbono, existem métodos mais limpos, como a captura e armazenamento de emissões ou o uso de energia renovável para a separação da água em hidrogênio e oxigênio.
O hidrogênio verde, considerado a forma mais ecológica, é também a mais cara de produzir. No entanto, sua adoção pode ajudar os países a reduzir a dependência de combustíveis fósseis e apoiar a expansão de fontes de energia renovável, como a eólica, solar e nuclear. Jackow ressaltou que, embora a eletrificação seja uma solução para muitos setores, existem indústrias que são difíceis de eletrificar, como o refino e o transporte, onde o hidrogênio pode ser uma alternativa viável. A Coreia do Sul, por exemplo, está interessada em utilizar o hidrogênio para abastecer sua frota de ônibus.
Entretanto, o relatório do Hydrogen Council também aponta que mais da metade da capacidade de hidrogênio limpo planejada atualmente está concentrada na China, o que levanta preocupações sobre a possibilidade de o país garantir uma posição dominante no setor, a menos que a Europa acelere seus próprios planos de desenvolvimento. Jackow alertou que a história já mostrou os riscos de depender de um único país para tecnologias emergentes, como aconteceu com os veículos elétricos. Ele enfatizou a necessidade de construir cadeias de suprimento robustas e garantir a soberania e resiliência no setor de energia.




