A ONG Anistia Internacional divulgou um relatório alarmante nesta quinta-feira (10), revelando que brasileiros e cidadãos de várias nacionalidades estão sendo enganados pela Rússia com falsas promessas de emprego para se alistarem nas forças armadas e lutarem na guerra na Ucrânia. A investigação da organização foi baseada em entrevistas com indivíduos de países como Brasil, Colômbia, Cuba, Egito, Serra Leoa, Sri Lanka, Somália e África do Sul, realizadas em campos de prisioneiros de guerra na Ucrânia entre 2024 e 2026.
Os dados foram coletados também por meio de conversas com estrangeiros que atualmente servem nas forças russas, além de familiares, advogados, ativistas de direitos humanos e jornalistas. A Anistia Internacional destacou que muitos recrutados fora da Rússia foram levados a acreditar que estavam sendo contratados para funções civis em áreas como segurança, logística, construção e tecnologia da informação, com promessas de altos salários e acesso acelerado à cidadania russa. No entanto, ao chegarem ao país, esses indivíduos foram induzidos a se alistar nas forças armadas.
Um dos relatos mais impactantes foi o de um brasileiro identificado como Pedro, um profissional de TI que acreditava ter assinado um contrato para um emprego bem remunerado na Rússia. Após sua chegada, ele se viu forçado a se alistar e, ao tentar escapar, recebeu uma ameaça direta de seu comandante: “Se você tentar escapar, ou vai para a cadeia ou nós o mataremos”. Essa situação revela a gravidade da exploração enfrentada por esses recrutados.
O relatório também menciona que recrutas do Brasil e do Sri Lanka tiveram seus passaportes e celulares confiscados durante o treinamento ou antes de serem enviados para a linha de frente. Agnès Callamard, secretária-geral da Anistia Internacional, afirmou que a pesquisa evidencia como as forças armadas russas estão recrutando cidadãos estrangeiros em situações de vulnerabilidade econômica, utilizando-os como “bucha de canhão” na guerra contra a Ucrânia. Callamard destacou que a exploração e coerção observadas configuram, em muitos casos, tráfico de pessoas, conforme definido pelo Protocolo de Palermo da ONU.
Até o momento, a Rússia não se pronunciou sobre o relatório da Anistia Internacional, embora já tenha negado anteriormente as acusações de engano no recrutamento de cidadãos estrangeiros para suas forças armadas. Essa situação levanta questões sérias sobre a ética e a legalidade das práticas de recrutamento utilizadas pelo governo russo em um contexto de guerra e crise humanitária.




