Post: Conflito no Iémen: Houthis tomam porto estratégico e preço do petróleo dispara

Rebeldes houthis tomam porto no Iémen, ampliando a guerra civil e impactando o preço do petróleo, que dispara no mercado internacional.
Conflito no Iémen: Houthis tomam porto estratégico e preço do petróleo dispara

Os rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, intensificaram a guerra civil no Iémen ao tomar o porto de Mokha, que estava sob controle do governo iemenita. Este movimento, realizado na quinta-feira (10), ocorre em um contexto de tensões que se agravaram desde que as hostilidades foram retomadas em julho. A conquista do porto é estratégica, pois Mokha é uma passagem crucial para o tráfego marítimo no estreito de Bab el-Mandeb, uma área vital para o comércio global, especialmente no que diz respeito ao transporte de petróleo.

Em resposta à ofensiva dos houthis, a Arábia Saudita lançou ataques aéreos na província de Taiz, onde se localiza Mokha. O governo saudita, que apoia o governo iemenita, tem se mostrado preocupado com a escalada do conflito, que estava relativamente congelado desde 2022. A retomada das hostilidades não só amplia a guerra civil no Iémen, mas também tem um impacto direto no mercado global de petróleo, com os preços disparando nos últimos dias.

Mokha, também conhecida como Mocha, é considerada uma cidade estratégica, pois sua localização permite um controle maior sobre o tráfego no estreito de Bab el-Mandeb. Desde que as hostilidades foram reabertas, os houthis tentam impor um embargo ao porto saudita de Yanbu, que é responsável por escoar cerca de 70% da produção de petróleo da Arábia Saudita, o segundo maior produtor de petróleo do mundo. Essa manobra é uma resposta à obstrução da via pelo estreito de Hormuz, que já é um ponto de tensão entre os Estados Unidos e o Irã.

Como resultado dessas tensões, o preço do barril de petróleo Brent subiu mais de 4%, ultrapassando a marca de US$ 105. Essa situação é particularmente preocupante para o ex-presidente Donald Trump, que havia prometido que o conflito no Oriente Médio seria resolvido logo após as eleições parlamentares de novembro. A escalada da guerra no Iémen e o aumento dos preços do petróleo representam um desafio significativo para sua agenda, especialmente em um momento em que a inflação de combustíveis já preocupa os eleitores.

Os houthis, que expulsaram o governo da capital Sanaa em 2014, têm uma agenda própria que não necessariamente se alinha aos interesses iranianos. Desde julho, as forças governamentais, com apoio saudita, começaram a bloquear o espaço aéreo da capital sob controle rebelde, rompendo uma trégua informal que havia sido mantida desde 2022. Com isso, os houthis voltaram a atacar e a decretar um bloqueio naval, embora este não tenha sido tão eficaz quanto a disrupção provocada pelo Irã no estreito de Hormuz, onde o tráfego de navios caiu drasticamente.

No estreito de Bab el-Mandeb, a consultoria Kpler reportou que, nesta quinta-feira, 27 navios transitaram, número inferior à média de 36 navios registrada em agosto e bem abaixo dos mais de 50 que costumavam passar antes do início da crise. O comando houthi afirmou que não ameaçará navios que não estejam indo ou voltando de portos sauditas, enviando um recado especialmente para os chineses, aliados do Irã, cujo tráfego comercial de exportações rumo à Europa depende dessa rota.

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