O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, revogou um decreto que restringia o porte de armas no país, uma medida que estava em vigor há mais de dez anos. A decisão foi anunciada em um vídeo postado em suas redes sociais, onde o presidente argumentou que as regras anteriores não impediram o acesso de criminosos a armamentos ilegais e que a população deve ter o direito de se defender. “Durante a campanha, disse que ia revogar a suspensão de licenças para o porte de armas”, afirmou Espriella, que assumiu a presidência há pouco mais de um mês, prometendo endurecer o combate ao crime em resposta ao aumento dos sequestros no país.
A revogação do decreto 1.482, que proibia o porte de armas fora de locais autorizados, foi uma das promessas de campanha do presidente ultradireitista. Ele destacou a necessidade de devolver aos cidadãos o direito de se protegerem, especialmente diante do aumento da violência. A medida anterior, que foi renovada pelos sucessores de Juan Manuel Santos, tinha como base evidências de que o porte de armas poderia aumentar a violência.
O novo decreto estabelece que o direito de portar armas será limitado às que forem especificamente autorizadas, conforme as condições estabelecidas na licença. Em sua justificativa, Espriella ressaltou que a verdadeira ameaça não está no porte legal de armas, mas sim nas armas ilegais em circulação. Ele citou dados da Força Pública, que apreendeu mais de 15 mil armas de fogo entre janeiro e setembro deste ano, das quais a maioria estava relacionada a atividades criminosas.
De acordo com o Small Arms Survey, a Colômbia tinha, em 2017, uma média de 10,1 armas por habitante, colocando o país na sétima posição entre os doze da América do Sul. Para comparação, o Brasil tinha 8,3 armas per capita, enquanto o Uruguai liderava com 34,7 armas por habitante. Essa nova política de armamento reflete uma mudança significativa na abordagem do governo colombiano em relação à segurança pública e à posse de armas, em um contexto de crescente violência e insegurança no país. A revogação do decreto pode gerar debates acalorados entre os defensores do controle de armas e aqueles que acreditam na necessidade de armamento para a autodefesa. A medida também levanta questões sobre a eficácia das políticas de segurança pública e como elas podem impactar a violência no país.



