O preço do petróleo atingiu um patamar elevado nesta terça-feira (8), chegando perto de US$ 100, após uma série de ataques realizados pelos houthis, grupo do Iémen, contra cidades no sul da Arábia Saudita. O barril Brent, referência mundial, alcançou US$ 99,45 (cerca de R$ 508,89), uma valorização de 2,53% em relação ao dia anterior, igualando a máxima registrada em 27 de maio. A última vez que o preço superou os US$ 100 foi em 26 de maio, quando atingiu US$ 100,73.
Após o pico, o preço do barril apresentou uma leve queda, sendo negociado a US$ 98,15 (R$ 502,24) por volta das 11h. O petróleo WTI (West Texas Intermediate), utilizado nos Estados Unidos, também registrou alta, sendo vendido a US$ 93,30 (R$ 477,43), um aumento de 1,99% em relação ao fechamento do dia anterior.
A escalada nos preços do petróleo é reflexo das preocupações dos negociadores com os recentes ataques a instalações energéticas e cidades na Arábia Saudita, aliada dos Estados Unidos. Os ataques dos houthis deixaram pelo menos 73 feridos, conforme informações de um porta-voz da coalizão liderada pela Arábia Saudita no Iémen.
O Ministério da Energia saudita informou que os ataques resultaram na “suspensão temporária de algumas operações” e que equipes especializadas estavam mobilizadas para controlar incêndios e avaliar os danos causados. Os ataques ocorreram após o Irã alertar sobre a vulnerabilidade da infraestrutura energética na região do Golfo Pérsico, incluindo os interesses dos EUA no setor de petróleo e gás. Esse alerta foi dado após uma série de retaliações a navios na área no último fim de semana, que contribuíram para a elevação dos preços do petróleo aos níveis mais altos em mais de seis semanas.
O coronel Turki al-Malki, em comunicado, afirmou que a coalizão tomará todas as medidas operacionais necessárias para neutralizar a milícia houthis e enfrentar sua postura hostil. Os houthis, que controlam as áreas mais populosas do Iémen e grande parte do norte do país, intensificaram os ataques contra a Arábia Saudita desde que declararam um bloqueio naval em julho, visando navios sauditas no Mar Vermelho.
As interrupções na navegação pelo Mar Vermelho aumentaram as preocupações sobre o abastecimento global de petróleo e gás. O Irã, por sua vez, continua a restringir a navegação pelo estreito de Hormuz, que é responsável por cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás. O tráfego de navios de commodities na região também diminuiu nesta semana.
O conflito no Irã, que já dura seis meses, tem sido caracterizado por um ciclo de pausas seguidas de recrudescimentos, especialmente após os ataques dos EUA e Israel em 28 de fevereiro, que visavam interromper o programa nuclear de Teerã e limitar sua capacidade de atacar vizinhos e apoiar grupos aliados na região.



