Post: Brasil conta com pelo menos 19 milhões de nanoempreendedores, aponta estudo

Estudo revela que Brasil possui 19 milhões de nanoempreendedores, categoria criada pela reforma tributária. Entenda as implicações.
Brasil conta com pelo menos 19 milhões de nanoempreendedores, aponta estudo

O Brasil abriga pelo menos 19 milhões de trabalhadores que se enquadram na nova categoria de nanoempreendedores, conforme um estudo encomendado pela Natura e conduzido pelo economista Fernando Blumenschein. Essa categoria foi criada pela reforma tributária e abrange indivíduos que exercem atividades econômicas de pequena escala, muitas vezes como forma de complementar a renda familiar. Entre eles, estão costureiras, manicures, cabeleireiros, eletricistas, ambulantes e revendedores de cosméticos.

Para ser classificado como nanoempreendedor, o trabalhador deve ter uma receita bruta anual inferior a R$ 40,5 mil, que representa metade do limite de faturamento do microempreendedor individual (MEI). Além disso, não é necessário estar inscrito nesse regime formal. Uma das principais vantagens dessa nova categoria é que os nanoempreendedores não precisam abrir um CNPJ nem emitir nota fiscal, e pela reforma tributária, estão isentos de recolher o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), que começarão a ser cobrados a partir de 2027.

A decisão que formalizou a dispensa da necessidade de documentos foi publicada no final de agosto pela Receita Federal e pelo Comitê Gestor do IBS, que reúne representantes de estados e municípios. No momento em que o estudo foi realizado, essa isenção ainda não havia sido oficializada.

Dentre os 19 milhões de nanoempreendedores estimados, 15,5 milhões atuam por conta própria sem CNPJ, o que representa cerca de 60% dos trabalhadores informais no Brasil. Os 3,5 milhões restantes possuem algum tipo de cadastro. A criação dessa categoria visa facilitar a vida de trabalhadores de pequena escala, que poderiam ser sobrecarregados pela burocracia exigida de empresas maiores. Na prática, muitos desses trabalhadores já não pagam os tributos atuais sobre o consumo, e com a reforma, poderão continuar nessa condição.

Além disso, uma segunda categoria de nanoempreendedores está sendo considerada, que incluiria motoristas e entregadores que trabalham por aplicativos. Para esses profissionais, o limite de receita é maior, alcançando R$ 162 mil por ano, que equivale ao dobro do teto do MEI. Essa mudança visa reconhecer a realidade de um mercado em constante transformação, onde a informalidade e as novas formas de trabalho estão se tornando cada vez mais comuns.

A reforma tributária, portanto, não apenas redefine as categorias de trabalhadores, mas também busca simplificar a formalização e a tributação, promovendo um ambiente mais favorável para os pequenos empreendedores que desempenham um papel crucial na economia brasileira. Com essas mudanças, espera-se que mais trabalhadores possam se beneficiar de um sistema que reconhece suas contribuições e facilita sua atuação no mercado.

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