O governo brasileiro recebeu a autorização para contratar um crédito externo de até US$ 1 bilhão junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Este montante será destinado a um dos projetos mais significativos para a aceleração da transição ecológica sustentável no país, o Eco Invest Brasil.
A decisão foi formalizada em despacho do Ministério da Fazenda, publicado na última sexta-feira (4). A aprovação ocorreu após análises positivas da Secretaria do Tesouro Nacional e da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).
A autorização se baseia no Artigo 40 da Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar nº 101/2000), além de resoluções anteriores do Senado.
O Eco Invest Brasil faz parte da estratégia do governo federal para aumentar a atração de investimentos privados estrangeiros, focando em mecanismos de proteção cambial e na melhoria das condições institucionais e regulatórias que favoreçam o ambiente de negócios no Brasil.
Com esta autorização, a União poderá formalizar a operação de crédito com o BID, uma instituição financeira multilateral que financia projetos de desenvolvimento econômico e social na América Latina e no Caribe. O programa é coordenado pelos Ministérios da Fazenda e do Meio Ambiente e Mudança do Clima e está alinhado ao Plano de Transformação Ecológica – Novo Brasil. Um dos principais mecanismos implementados foi a introdução do hedge cambial, que visa reduzir riscos para investidores e aumentar a participação de capital estrangeiro.
O Eco Invest Brasil utiliza um modelo de financiamento misto, combinando recursos públicos e privados. Por meio do capital catalítico, o governo e instituições financeiras privadas investem de forma filantrópica, aceitando maior tolerância a riscos de mercado. Esse sistema considera não apenas o retorno financeiro, mas também o impacto social dos projetos, permitindo alavancar recursos para investimentos convencionais.
Na área de economia circular, as iniciativas do Eco Invest Brasil têm potencial para beneficiar mais de 2 milhões de pessoas nas regiões Nordeste, Sudeste e Sul do país. Entre os projetos previstos está a construção de uma biorrefinaria na Bahia, com capacidade para produzir mais de 20 mil barris de óleo vegetal, que serão utilizados na produção de SAF e diesel renovável, compatíveis com a frota aérea atual.
Além disso, o programa também financiará projetos voltados à adaptação climática, como a modernização da infraestrutura elétrica em estados como Bahia, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Essa iniciativa inclui o aterramento de linhas que são vulneráveis a eventos climáticos extremos, como chuvas intensas e ventos fortes, visando reduzir interrupções no fornecimento de energia.



