As eleições presidenciais de 2026 têm trazido à tona propostas que, embora possam parecer inovadoras, enfrentam desafios significativos para sua implementação. Entre as ideias mais polêmicas estão a extinção de municípios, a criação de um fundo de R$ 1 mil para cada bebê nascido e a obrigatoriedade de políticos utilizarem exclusivamente o Sistema Único de Saúde (SUS). Essas propostas, apresentadas por diferentes candidatos, levantam questões sobre viabilidade e impacto real no cotidiano da população.
Uma das propostas mais audaciosas é a do candidato Renan Santos, do partido Missão, que sugere a extinção de 70% dos 5.570 municípios brasileiros. Segundo Santos, muitos desses municípios são fiscalmente inviáveis e a fusão deles em unidades administrativas maiores poderia melhorar a entrega de serviços públicos. No entanto, o processo de extinção é complexo e requer a aprovação de leis complementares e plebiscitos que envolvem a população local. A realidade é que, dada a resistência política e a necessidade de consultas populares, a proposta enfrenta grandes obstáculos para se concretizar.
Outra proposta que gera debate é a da candidata Samara Martins, que defende que políticos e suas famílias utilizem apenas o SUS. Essa ideia, embora tenha um apelo popular, carece de um plano claro de implementação e enfrenta a dificuldade de exigir que legisladores se submetam ao mesmo sistema que administram. Para que essa medida se tornasse realidade, seria necessário aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), o que demandaria o apoio de uma ampla maioria no Congresso, incluindo os próprios políticos afetados pela mudança.
Além disso, a proposta de Romeu Zema, do Novo, de depositar R$ 1 mil para cada recém-nascido, também levanta questões sobre sua viabilidade. Com cerca de 2,38 milhões de nascimentos anuais, o custo inicial desse programa seria de pelo menos R$ 2,38 bilhões, sem uma fonte de financiamento clara. A ideia de incentivar a educação financeira desde cedo é válida, mas o impacto real desse investimento em comparação a outras áreas, como saúde e educação, pode ser questionável.
Essas propostas, embora apresentem intenções positivas, revelam a complexidade e os desafios da política brasileira. A implementação de ideias que parecem boas na teoria muitas vezes esbarra na realidade do sistema político, nas limitações orçamentárias e na necessidade de consenso entre diferentes grupos. Assim, o que pode parecer mirabolante pode, na verdade, ser uma reflexão sobre a dificuldade de se fazer política em um país com tantas desigualdades e desafios estruturais.



