A Trilha Interparques, inaugurada pela Prefeitura de São Paulo em abril de 2025, promete conectar ciclistas a uma experiência única de 182 quilômetros na zona sul da cidade. Com um percurso que abrange várias unidades de conservação, represas e reservas particulares, a trilha se destaca como uma das iniciativas mais ambiciosas para o cicloturismo na capital paulista.
Apesar de ser um projeto voltado para os amantes das bicicletas, a trilha também desperta a curiosidade de quem, como eu, prefere caminhar. Recentemente, tive a oportunidade de conversar com Renata Falzoni, uma das maiores ativistas do cicloturismo no Brasil e atual vereadora pelo PSB, sobre as nuances e desafios que a Trilha Interparques apresenta.
Ao visitar o início da trilha, localizado na Balsa da Ilha do Bororé, percebi que o acesso estava mais adequado para ciclistas do que para pedestres. O tráfego intenso e a falta de acostamento tornaram a experiência um tanto arriscada, levando-me a buscar refúgio no mato para evitar os veículos. Renata explicou que o trecho inicial, recentemente asfaltado, atraiu um fluxo perigoso de carros, mas que a verdadeira beleza da trilha se revela em seus trechos mais isolados, conhecidos como “single tracks”, onde apenas uma bicicleta pode passar de cada vez.
“Embora o tráfego de veículos motorizados seja um problema, existem soluções para melhorar a segurança dos ciclistas”, comentou Falzoni. Ela enfatizou a necessidade de sinalização adequada e de um planejamento que permita o acesso seguro à trilha, sem a necessidade de recorrer a carros ou aplicativos de transporte.
A oficialização da Trilha Interparques também trouxe um impacto positivo na economia local. Com a crescente popularidade do cicloturismo, pousadas e pequenos comércios começaram a surgir ao longo do percurso, oferecendo produtos artesanais e serviços voltados para os ciclistas. Durante a pandemia, muitos proprietários de terras na região voltaram a investir em suas propriedades, criando uma nova dinâmica econômica que beneficia tanto os visitantes quanto os moradores locais.
Renata compartilhou comigo algumas das delícias que encontrou em suas explorações, como conservas de cogumelos e geleias de frutas locais. Essas iguarias são um convite para que mais pessoas conheçam a riqueza da zona sul de São Paulo, não apenas por meio do ciclismo, mas também pela valorização dos produtos regionais.
A Trilha Interparques é mais do que um simples caminho para ciclistas; é uma oportunidade de redescobrir a cidade sob uma nova perspectiva. Com os devidos cuidados e investimentos, ela pode se tornar um espaço seguro e agradável para todos os amantes da natureza, do esporte e da cultura local. Portanto, se você ainda não teve a chance de explorar essa trilha, talvez seja hora de considerar uma visita – quem sabe até de bicicleta?


