Post: Tribunal de Malta absolve empresário acusado de encomendar assassinato de jornalista

Tribunal de Malta absolve Yorgen Fenech, acusado de encomendar assassinato da jornalista Daphne Caruana Galizia em 2017.
Tribunal de Malta absolve empresário acusado de encomendar assassinato de jornalista

Um tribunal de Malta absolveu, nesta quarta-feira (2), o magnata Yorgen Fenech, de 44 anos, das acusações de ter encomendado o assassinato da jornalista investigativa Daphne Caruana Galizia, ocorrido em 2017. Fenech enfrentava acusações de cumplicidade em assassinato e associação criminosa, mas foi inocentado por 8 votos a 1 após oito horas de deliberação do júri. A condenação poderia ter resultado em prisão perpétua.

O assassinato de Galizia, que chocou a Europa, provocou uma crise política em Malta e levantou sérias questões sobre a atuação da polícia e do sistema judiciário do país. Enquanto os familiares de Fenech celebravam a decisão no tribunal de Valletta, parentes da jornalista expressavam sua dor e indignação. “As falhas institucionais que permitiram sua morte continuam sem resposta e sem reformas”, afirmou a família em um comunicado.

De acordo com a acusação, Fenech teria encomendado o crime porque Galizia estava prestes a divulgar informações comprometedores sobre ele. O magnata nega as acusações. A jornalista foi morta ao deixar sua casa em Mosta, quando uma bomba colocada em seu carro explodiu. Galizia era conhecida por seu blog “Running Commentary”, onde investigava casos de corrupção envolvendo políticos de diversas correntes em Malta. Ela também participou das investigações dos Panama Papers, que revelaram documentos sobre contas offshore relacionadas a fraudes e sonegação fiscal.

O caso levou à renúncia do então primeiro-ministro Joseph Muscat em janeiro de 2020, após uma onda de protestos que questionava sua ligação com a investigação e a proteção de aliados. Muscat nunca foi implicado diretamente no crime. Nos nove meses que antecederam seu assassinato, Galizia enfrentou 36 processos de difamação em Malta.

Até o momento, cinco pessoas foram condenadas por sua morte, incluindo dois homens que forneceram a bomba e foram sentenciados à prisão perpétua. Os três homens que executaram o assassinato também estão cumprindo penas de prisão após serem considerados culpados.

O caso de Daphne Caruana Galizia continua a ser um marco na luta pela liberdade de imprensa e pelo combate à corrupção em Malta e na Europa.

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