O regime do Irã intensificou as tensões com os Estados Unidos ao rotulá-los de Satã, em resposta a um ataque aéreo que resultou na morte de cinco pessoas, incluindo uma criança, durante uma festa de casamento no sul do país. O ataque, que ocorreu em Kuhestak, no distrito de Sirik, foi atribuído a forças americanas, embora Washington não tenha confirmado sua participação. A situação se agrava à medida que os dois países trocam ataques, marcando um dos momentos mais críticos desde julho.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, expressou sua indignação no X, afirmando que “se uma potência age como Satã, escolhe alvos como Satã e mata como Satã, é Satã”. Essa retórica, que remete à Revolução Islâmica de 1979, reflete a postura do regime em relação aos EUA, que é frequentemente visto como o principal adversário do Irã.
De acordo com relatos de autoridades iranianas, o ataque aéreo americano deixou ainda 68 feridos, e o Ministério das Relações Exteriores do Irã classificou a ação como um “crime de guerra”. O porta-voz da pasta, Esmail Baqai, afirmou que o bombardeio é uma tentativa dos EUA de encobrir seu fracasso na guerra.
Imagens do local do ataque, divulgadas pela agência iraniana West Asia News Agency, mostram a devastação causada, com escombros e sandálias femininas sobre um tapete manchado de sangue. Ali Molahi, pai da noiva, lamentou a tragédia, expressando alívio por não haver um número maior de vítimas.
Em resposta ao ataque, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezai, anunciou que o país adotará uma nova estratégia em sua abordagem militar, diplomática e na luta contra as sanções econômicas impostas pelos EUA. Ele prometeu que essa nova abordagem deixará os fundamentos de Washington “em pedaços”.
A escalada de hostilidades inclui ataques mútuos, com os EUA atingindo alvos na costa sul do Irã e o Irã lançando mísseis e drones contra instalações americanas em várias regiões do Oriente Médio. Essas ações representam um aumento significativo nas tensões entre os dois países, que já estão em um estado de conflito desde a retirada dos EUA do acordo nuclear em 2018.
Os EUA afirmaram que seus ataques visaram sistemas de defesa aérea, radares e estruturas relacionadas à instalação de minas, além de centros de comunicação da Guarda Revolucionária. O regime iraniano, por sua vez, denunciou os ataques como uma agressão a sua soberania, especialmente em áreas estratégicas próximas ao estreito de Hormuz, uma rota crucial para o transporte de petróleo global.



