Senadores bolsonaristas que estão na corrida eleitoral admitiram estar em uma situação complicada em relação à votação do projeto que propõe o fim da escala 6×1, prevista para esta quarta-feira (2). A estratégia do grupo é evitar críticas públicas à proposta ou votar a favor dela no plenário. A responsabilidade pelo debate na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) recairá sobre senadores que não estão concorrendo nas próximas eleições, como Rogério Marinho (PL-RN), Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e Dr. Hiran (PP-RR). O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à presidência do PL, não se posicionou abertamente contra a proposta e, inclusive, deve faltar à sessão. Questionado sobre sua posição, ele se limitou a afirmar que votaria a favor do projeto que estabelece um novo regime de pagamento por hora trabalhada. Os parlamentares acreditam que a exposição pública sobre o tema será minimizada neste momento, uma vez que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), sinalizou que a proposta de emenda à Constituição (PEC) só será votada após as eleições. Um senador do PL, que preferiu não ser identificado, declarou que seguirá a orientação do partido e votará contra o fim da escala 6×1, mas não pretende se manifestar em discursos ou tentar atrasar a votação. Para ele, qualquer tentativa de obstruir o processo legislativo poderia ser mal vista pelo eleitorado. Assim, a missão de conduzir o debate ficará a cargo de Marinho, Mourão ou Oriovisto Guimarães (PSDB-PR), que não se candidatará e está no final de seu mandato. Marinho indicou que irá solicitar vista, ou seja, mais tempo para discussão, ressaltando que a votação é uma oportunidade para priorizar o projeto que trata da jornada de trabalho flexível. Além disso, a votação do projeto provocou mudanças na composição da CCJ, com a saída de parlamentares que não desejam se comprometer. O senador Marcos Rogério (PL-RO), que é candidato ao governo de Rondônia, deixou a comissão nesta terça-feira. Por sua vez, o senador Esperidião Amin (PP-SC), que busca a reeleição, passou de titular a suplente na CCJ, sendo substituído por Laércio Oliveira (PP-SE), que está em meio ao seu mandato. A discussão em torno da escala 6×1 reflete um contexto mais amplo de disputas políticas e estratégicas entre os senadores, especialmente em um momento de proximidade das eleições. A movimentação na CCJ é um indicativo das tensões internas e das manobras que os parlamentares estão dispostos a adotar para se posicionar diante de um eleitorado cada vez mais atento e exigente. A votação do projeto, que visa alterar a forma de pagamento dos trabalhadores, continua a ser um tema polêmico, com implicações diretas na vida de milhares de brasileiros. A expectativa é que o debate na CCJ e as decisões dos senadores influenciem a percepção pública sobre a questão, além de moldar as estratégias políticas para os próximos meses.



