Famílias nepalesas se reuniram nesta quarta-feira (2) para realizar cerimônias fúnebres simbólicas, buscando “libertar” as almas de parentes desaparecidos após uma avalanche devastadora que atingiu vilarejos na região do Himalaia, na fronteira com a China. A tragédia, que ocorreu em 26 de agosto, foi causada pelo colapso parcial de uma geleira e resultou em mais de 1.100 mortes e quase 4.500 desaparecidos, conforme informações das autoridades locais.
Após dias de busca em abrigos e necrotérios, muitos familiares perderam a esperança de encontrar seus entes queridos e decidiram seguir os rituais hindus, queimando efígies de palha. Dolma Newar Tamang, que estava ao lado do filho durante o funeral do marido, expressou a necessidade de realizar a cerimônia para que a alma dele possa encontrar paz. “Precisamos fazer isso para libertar a alma dele, para que fique em paz e feliz onde quer que esteja”, disse ela, lembrando que tentava contato com o marido no momento da tragédia.
Enquanto isso, as equipes de resgate nepalesas continuam a busca por sobreviventes, especialmente em túneis de centrais hidrelétricas da região. Até o momento, os socorristas conseguiram recuperar apenas alguns corpos, mas mantêm a esperança de encontrar pessoas vivas. O ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, reafirmou sua crença em milagres e na possibilidade de que alguns dos desaparecidos possam estar vivos.
A indignação e a tristeza aumentam entre a população, que observa a magnitude da destruição em um país majoritariamente rural, com 30 milhões de habitantes. Apesar de contribuir pouco para as emissões de gases do efeito estufa que impulsionam o aquecimento global, o Nepal é um dos países mais afetados por suas consequências. O primeiro-ministro nepalês, Balendra Shah, destacou que a catástrofe é um sinal sério dos riscos crescentes enfrentados na região do Himalaia, que estão aumentando em proporção às mudanças climáticas.
Cientistas alertam que a maior cordilheira do mundo está aquecendo rapidamente, o que acelera o derretimento das geleiras. As massas de gelo do Himalaia e do Hindu Kush são vitais para milhões de pessoas nas regiões montanhosas e nos vales fluviais do sul e do sudeste da Ásia. Shah também enfatizou que a resposta a desastres climáticos é uma responsabilidade global, ressaltando a necessidade de ações coletivas para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas.



