Em uma análise profunda sobre o cenário global atual, o secretário-geral da ONU, António Guterres, destacou os limites do poder das superpotências, especialmente em relação aos conflitos envolvendo Estados Unidos e Irã, além da invasão da Ucrânia pela Rússia. Em entrevista ao Financial Times, Guterres enfatizou que a dinâmica mundial está mudando, com a ascensão de novas potências e a diminuição da hegemonia americana, refletindo as dificuldades enfrentadas pelas grandes potências em impor sua vontade. Guterres, que se aproxima do fim de uma década à frente da ONU, afirmou que as guerras recentes revelam a incapacidade das superpotências de alcançar vitórias decisivas. Ele mencionou a invasão da Ucrânia, que Moscou esperava que fosse rápida, e a resistência do regime iraniano após os ataques dos Estados Unidos e Israel, como exemplos claros dessa limitação. “As superpotências precisam entender que as coisas mudaram, que o peso dos diferentes países mudou”, disse ele, alertando para o risco de um confronto em um mundo cada vez mais multipolar. O secretário-geral também comentou sobre a crise interna da ONU, que enfrenta desafios financeiros e divisões entre as potências. Ele ressaltou que a ordem global precisa se adaptar a essa nova realidade, caso contrário, a situação pode se agravar. Guterres rejeitou a ideia de que o Conselho da Paz, criado por Donald Trump, poderia rivalizar com o Conselho de Segurança da ONU, apontando que os avanços em Gaza demonstram a importância da ONU como mediadora. Durante sua gestão, a projeção da ONU como mediadora de crises globais diminuiu, e Guterres reconheceu que a organização poderia ter sido mais presente em zonas de conflito. A mudança de foco para questões sociais, como as mudanças climáticas, pode ter contribuído para essa percepção. Em um momento crítico para a diplomacia global, Guterres faz um chamado para que as superpotências reavaliem suas estratégias e reconheçam os limites de seu poder, a fim de evitar um futuro de conflitos e incertezas.



