A deputada federal e candidata ao Senado pelo Paraná, Gleisi Hoffmann (PT), reafirmou sua convicção em relação à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que criou as emendas Pix, durante uma sabatina na RPC. Em sua fala, ela declarou que não se arrepende de ter apresentado a proposta, embora tenha ressalvas sobre o funcionamento atual desse mecanismo. Gleisi, que foi senadora em 2015, explicou que a ideia original era facilitar o repasse de verbas para obras menores e emergenciais, evitando que o dinheiro se desvalorizasse devido à inflação durante o processo burocrático de convênios. “Quando a gente fez isso, era para repassar direto para obras menores, para não perder o valor de compra”, afirmou.
A candidata também destacou a necessidade de discutir ferramentas mais rigorosas para o controle das emendas. “O parlamento precisa ter emenda, mas não pode ser essa quantidade. R$ 44 bilhões é quase o nível do investimento que você tem para o país”, ressaltou, enfatizando que a quantidade de emendas no Brasil não encontra paralelo em outros países.
Durante a sabatina, Gleisi abordou outros temas relevantes, como investigações que envolvem membros do seu partido e o combate à violência contra a mulher. Ela se posicionou a favor da instauração de processos de impeachment de ministros do STF, afirmando que essa é uma função do Senado e que está disposta a discutir e julgar esses casos. “Tendo o processo sido instaurado, eu tenho clareza e tranquilidade de sentar, discutir e julgar”, disse.
Sobre o foro privilegiado, Gleisi reiterou sua oposição à prática e explicou que, embora tenha utilizado essa proteção em 2016, isso se deu dentro da legalidade vigente. “Nós temos que mudar a lei para que todo mundo seja igual”, afirmou, destacando sua intenção de votar contra essa regra no Congresso.
Como relatora do projeto que originou a Lei do Feminicídio, a parlamentar expressou seu compromisso em enfrentar a violência contra a mulher, afirmando que a sociedade não pode ser considerada justa enquanto mulheres forem mortas ou discriminadas. Gleisi ressaltou a importância de trazer respostas concretas para a população, citando sua experiência anterior no Senado, onde trabalhou em conjunto com outros políticos do Paraná.
Questionada sobre a confiança do eleitor diante de escândalos que envolveram o PT, Gleisi acredita que essa confiança será testada nas próximas eleições. Ela lembrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi absolvido pelo povo nas urnas, o que, segundo ela, representa uma validação do projeto de desenvolvimento que o partido defende. Gleisi também comentou as investigações em curso que atingem figuras ligadas ao PT, afirmando que todos devem ser responsabilizados por suas ações, independentemente de suas conexões pessoais.
“Tudo tem que ser apurado, se a pessoa errou, ela tem que pagar. O que nós precisamos é que os processos estejam dentro do devido processo legal”, concluiu, enfatizando a importância de evitar a criação de um espetáculo midiático em torno das investigações.



