O Open Finance no Brasil alcançou a marca de 240 milhões de consentimentos ativos, com a participação de cerca de 800 instituições financeiras. Os dados são do estudo “Open Finance no Brasil – Cinco anos de transformação e uma agenda para o futuro”, realizado pela Zetta, associação que representa instituições financeiras digitais, em parceria com a AtlasIntel. Essa evolução marca a transição do Open Finance de uma promessa regulatória para uma infraestrutura consolidada de dados e serviços financeiros.
Esse sistema inovador permite que os consumidores compartilhem seus dados bancários e financeiros entre diferentes instituições, facilitando o acesso a produtos e serviços que se alinham ao seu perfil. Além disso, o Open Finance é uma ferramenta que promete reduzir os custos de crédito, contribuindo para uma economia mais acessível.
Os consentimentos representam as autorizações que os clientes concedem para que suas informações sejam compartilhadas. O número de consentimentos saltou de 41,9 milhões em dezembro de 2023 para aproximadamente 240 milhões em julho deste ano. Apesar desse crescimento, a pesquisa revela que 81,9% dos entrevistados já ouviram falar do Open Finance, mas apenas 21% se consideram bem informados sobre seu funcionamento.
Outro dado relevante é que metade da população ainda desconhece funcionalidades disponíveis, como a portabilidade de crédito com taxas de juros mais baixas. A portabilidade salarial, por sua vez, é uma prioridade para 41,7% dos entrevistados, destacando a necessidade de maior conscientização sobre os benefícios do Open Finance.
Eduardo Lopes, presidente da Zetta, enfatiza que o avanço da regulamentação e a crescente adesão de instituições e consumidores indicam uma perspectiva otimista para o futuro do ecossistema. A nova fase do Open Finance se concentra em aprimoramentos nas áreas de experiência do usuário, performance e eficiência do sistema.
Um dos desafios identificados no estudo é o desperdício de recursos, evidenciado pelo fato de que mais de 60% das consultas automáticas por dados são consideradas inúteis. A pesquisa sugere que, se o modelo fosse ajustado para enviar informações somente quando houvesse mudanças reais, a eficiência poderia aumentar para mais de 93%, reduzindo o tempo de atualização de até 14 dias para apenas 15 minutos.
Outro ponto crítico é a taxa de sucesso nas trocas de dados entre instituições, que atualmente gira em torno de 57%, podendo cair a cerca de 20% em alguns casos. Isso ressalta a necessidade de uma fiscalização mais rigorosa por parte do Banco Central, visando garantir a eficácia do sistema e a segurança dos dados dos consumidores.



