O Brasil perdeu um de seus grandes nomes do jornalismo nesta segunda-feira (31). Carlos Monforte, aos 77 anos, faleceu após uma batalha contra o câncer, deixando um legado de mais de 40 anos na profissão. Considerado um pioneiro do modelo de âncora no telejornalismo nacional, Monforte teve passagens marcantes pela TV Globo e GloboNews, onde se destacou em coberturas políticas relevantes.
Natural de Santos, São Paulo, Monforte começou sua trajetória no jornal A Tribuna, antes mesmo de concluir sua formação em Jornalismo. Sua carreira o levou a atuar na Secretaria de Obras do Estado de São Paulo e no respeitado jornal O Estado de S. Paulo, até que, em 1978, ingressou na TV Globo, onde se tornaria uma referência no setor.
Durante sua passagem pela emissora, Monforte participou de importantes coberturas, incluindo as greves dos metalúrgicos do ABC paulista, e se destacou no Jornal Nacional e no Fantástico. Em uma entrevista ao projeto Memória Globo, ele revelou que a transição do jornalismo impresso para a televisão não foi simples, exigindo um período de adaptação: “Foi um susto. Eu confesso que tive de passar dois anos para aprender televisão”.
Em 1982, Monforte assumiu a editoria de Política do Jornal da Globo e, no ano seguinte, se tornou editor-chefe e apresentador do Bom Dia Brasil, cargo que ocupou por nove anos. Durante esse tempo, o telejornal se destacou por sua abordagem focada em temas políticos e econômicos, realizando centenas de entrevistas com figuras proeminentes do cenário nacional.
“No Brasil, o âncora é o editor-chefe: ele comanda, diz o que entra no jornal, qual será a sequência dos blocos”, explicou Monforte, ressaltando a importância do papel do jornalista na construção da narrativa. Após deixar a Globo em 1992, ele se dedicou à montagem do departamento de Comunicação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), retornando à emissora como repórter especial em Brasília, onde continuou a cobrir eventos políticos de grande relevância.
Entre suas coberturas notáveis, destacam-se entrevistas com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e reportagens sobre o Movimento dos Sem-Terra e a CPI do narcotráfico. Em 1998, Monforte iniciou uma nova fase na GloboNews, onde comandou o programa Espaço Aberto, abordando temas cruciais como segurança pública e reforma tributária. No final de 2000, ele assumiu a coordenação da GloboNews em Brasília, além de apresentar o Jornal das Dez.
A Gazeta do Povo entrou em contato com a TV Globo para obter um posicionamento sobre a morte de Monforte e aguarda retorno. O legado de Carlos Monforte, que se destacou por sua seriedade e compromisso com a informação, será sempre lembrado por aqueles que acompanharam sua trajetória no jornalismo brasileiro.



