Post: CVM aprova oferta pública de ações da Oncoclínicas em decisão controversa

CVM aprova OPA da Oncoclínicas em decisão que desafia pareceres técnicos, envolvendo disputa entre Centaurus Capital e Latache.
CVM aprova oferta pública de ações da Oncoclínicas em decisão controversa

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aprovou, por unanimidade, a oferta pública de aquisição de ações (OPA) do grupo Oncoclínicas, desafiando pareceres da sua área técnica que se opunham à proposta. A decisão, que ocorreu na terça-feira (25), foi tomada com três votos a zero e envolve uma disputa entre a gestora Centaurus Capital, dos Estados Unidos, e a brasileira Latache, que é a sócia majoritária da rede de saúde.

A OPA é um mecanismo pelo qual o acionista majoritário busca adquirir todas ou parte das ações de uma empresa. Neste caso, a questão central gira em torno do pagamento aos acionistas minoritários, que recai sobre a Centaurus. O estatuto da Oncoclínicas possui uma cláusula de proteção que obriga investidores que adquirirem mais de 15% das ações após a oferta pública inicial (IPO) a realizar uma OPA, garantindo assim a opção de venda para outros acionistas.

Esse aspecto pode aumentar o desembolso financeiro da gestora e beneficiar acionistas que desejam liquidar suas participações a um preço superior, como é o caso da Latache e de outros acionistas minoritários. A Centaurus já está envolvida com a empresa desde 2018, o que torna a situação ainda mais complexa.

Em nota divulgada na mesma noite, o fundo Josephina 3, que se opõe à OPA, ressaltou que a área técnica da CVM já havia recomendado o indeferimento da proposta em duas ocasiões anteriores e expressou desacordo com a nova decisão do colegiado. O fundo argumenta que a disputa deve ser resolvida pelo Tribunal Arbitral da Câmara de Arbitragem do Mercado (CAM) da B3, onde já iniciou um procedimento arbitral contra a Latache.

A reunião que resultou na aprovação da OPA contou com a participação do presidente da CVM, Otto Lobo, e dos diretores João Accioly e Igor Muniz. A diretora Marina Copola estava impedida de participar do caso, e a quinta cadeira do colegiado permanece vaga.

A OPA, inicialmente avaliada em R$ 6 bilhões, faz parte de um complexo imbróglio acionário envolvendo a Oncoclínicas, que teve início com a atuação do Goldman Sachs, que atualmente possui uma exposição significativa na rede de tratamento de câncer. O desdobramento dessa situação agora se dará na câmara de arbitragem da B3, onde o fundo Josephina 3 busca uma solução para a disputa.

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