Um estudo recente revelou que pelo menos um em cada quatro ex-jogadores da NFL que faleceram entre 2016 e 2021 apresentava encefalopatia traumática crônica (CTE), uma condição neurodegenerativa que só pode ser diagnosticada post-mortem. A pesquisa, conduzida por instituições como o Mass General Brigham e a Boston University, analisou 235 cérebros de atletas que doaram seus órgãos após a morte e constatou que 215 deles tinham sinais de CTE. A NFL, por meio de um comunicado, reafirmou seu compromisso em tornar o futebol americano mais seguro, implementando estratégias para minimizar concussões e impactos na cabeça. A liga enfatizou que está continuamente buscando melhorar os recursos disponíveis para a saúde física e mental de seus jogadores e ex-jogadores. O autor principal do estudo, Daniel Daneshvar, destacou que lesões cerebrais traumáticas recorrentes são um fator conhecido para o aumento das taxas de doenças neurodegenerativas. Ele apontou que a taxa de mortalidade por doenças neurodegenerativas entre ex-jogadores da NFL é cerca de quatro vezes maior do que na população geral. Além disso, o estudo revelou que a demência era comum entre os doadores de cérebros. Os pesquisadores pediram a implementação de medidas preventivas para reduzir os impactos repetitivos na cabeça em todos os níveis do esporte, já que a maioria dos impactos sofridos por esses ex-jogadores ocorreu durante suas carreiras em níveis universitários e de base, e não apenas na NFL. Daneshvar também mencionou que o Acordo Coletivo de Trabalho da NFL de 2011 já havia limitado o número de treinos com contato físico durante a temporada. Em 2016, a Suprema Corte dos EUA permitiu que a liga resolvesse processos judiciais relacionados a concussões movidos por ex-jogadores. “Se as mudanças implementadas na NFL, como a redução de treinos com contato, fossem adotadas em níveis universitário e escolar, os atletas estariam em melhores condições”, afirmou Daneshvar. Ele recomendou que atletas e ex-atletas que apresentem sintomas cognitivos busquem avaliação especializada em doenças neurodegenerativas. Os dados do estudo são alarmantes e ressaltam a necessidade de uma abordagem mais cuidadosa em relação à saúde cerebral dos atletas, especialmente em um esporte tão físico como o futebol americano. A pesquisa evidencia que, sem alterar o tempo de jogo, é possível reduzir significativamente a carga cumulativa de impactos na cabeça ao longo da vida dos jogadores. A NFL, por sua vez, continua a trabalhar em estratégias para garantir a segurança de seus atletas, mas a crescente evidência sobre os riscos associados a lesões cerebrais exige uma atenção redobrada de todos os envolvidos no esporte.




