Post: Fundo busca arbitragem para impedir oferta pública de ações da Oncoclínicas avaliada em mais de R$ 6 bilhões

Fundo Josephina 3 pede arbitragem para barrar OPA da Oncoclínicas, avaliada em mais de R$ 6 bilhões, a poucos dias do julgamento pela CVM.
Fundo busca arbitragem para impedir oferta pública de ações da Oncoclínicas avaliada em mais de R$ 6 bilhões

O fundo Josephina 3, gerido pela Centaurus Capital, protocolou um pedido de arbitragem na B3, a Bolsa de Valores do Brasil, com o objetivo de barrar uma Oferta Pública de Aquisição de Ações (OPA) da Oncoclínicas, avaliada em mais de R$ 6 bilhões. O requerimento surge em um momento crítico, a poucos dias do julgamento do caso pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Atualmente, o fundo Josephina 3 é um dos principais acionistas da Oncoclínicas e se vê envolvido em um imbróglio que pode alterar a dinâmica da companhia. A OPA foi solicitada após uma reestruturação societária que revelou a participação da Centaurus no negócio. Anteriormente, a gestora americana estava inserida na Oncoclínicas através de um fundo liderado pelo Goldman Sachs, que foi desmembrado em 2024, resultando na criação do Josephina 3, que agora detém pouco mais de 16% das ações da empresa. O fundador e ex-CEO da Oncoclínicas, Bruno Ferrari, apresentou à CVM um pedido de OPA, alegando que a Centaurus não era considerada acionista relevante antes da abertura de capital da companhia em 2021. O estatuto da Oncoclínicas inclui uma cláusula de proteção, conhecida como poison pill, que exige que investidores que adquiram mais de 15% das ações após o IPO realizem uma OPA. Essa cláusula estipula que o valor da aquisição deve ser de 120% da maior cotação das ações nos 12 meses anteriores ao evento que aciona essa obrigação. Na prática, a cláusula impõe à Centaurus a necessidade de pagar um prêmio pelas ações, o que pode aumentar o custo da operação e beneficiar acionistas que desejam vender suas participações a um preço mais elevado. A gestora Latache, que possui cerca de 15% das ações, seria uma das principais beneficiadas nesse cenário, tendo liderado a iniciativa pela OPA. A CVM agendou o julgamento do caso para a próxima terça-feira (25). Embora a área técnica da comissão tenha se manifestado contra a OPA, analistas acreditam que a maioria do colegiado pode se posicionar favoravelmente. O pedido de arbitragem da Centaurus, feito a poucos dias do julgamento, indica um certo pessimismo em relação ao desfecho do caso, embora fontes ligadas ao processo afirmem que a arbitragem seria acionada independentemente do resultado, já que está prevista no estatuto da empresa. Procurados, tanto o fundo Josephina 3 quanto a Oncoclínicas optaram por não comentar o assunto, enquanto a Latache não respondeu aos pedidos de informação. Esse embate ocorre em um contexto de crise para a Oncoclínicas, que em julho deste ano solicitou recuperação extrajudicial para renegociar R$ 5,1 bilhões em dívidas com seus credores. Parte da disputa envolvendo a OPA também foi parar na esfera policial, complicando ainda mais a situação da empresa.

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