Florianópolis se prepara para uma intervenção significativa no trânsito, com um investimento de R$ 26,59 milhões que visa resolver um dos principais gargalos da capital catarinense. O projeto, com previsão de execução em 18 meses, inclui a construção de um novo viaduto na região do Centro Integrado de Cultura (CIC), a ampliação da avenida da Saudade e a abertura de faixas adicionais em vias que servem tanto moradores quanto turistas. A obra pretende separar o tráfego entre o Itacorubi e a SC-401, um dos principais acessos ao norte da ilha, facilitando a mobilidade na região.
Os motoristas que se dirigem ao Itacorubi, que abriga universidades e serve como passagem para a Lagoa da Conceição, contarão com duas faixas na nova estrutura. Já aqueles que seguem para a SC-401 continuarão utilizando a estrutura existente. “O objetivo é extinguir pontos de retenção e reduzir acidentes causados pelo entrelaçamento de veículos que seguem hoje para dois destinos distintos por um único acesso”, explicou o secretário municipal de Obras e Infraestrutura, Rafael Hahne. Atualmente, os motoristas são obrigados a cruzar a via, o que gera complicações no tráfego.
A obra será realizada por um consórcio de empresas e faz parte de um convênio mais amplo com o governo de Santa Catarina. O prazo para a execução física é de 540 dias, contados a partir da ordem de serviço, enquanto o contrato terá vigência de 630 dias, englobando etapas administrativas como medições e pagamentos.
O novo viaduto será construído ao lado da estrutura já existente no CIC, com o intuito de separar os fluxos de veículos que seguem para destinos distintos. A ampliação da avenida da Saudade, que liga a Beira-Mar Norte aos bairros da bacia do Itacorubi, passará de quatro para cinco faixas, com restauração do pavimento. Para isso, o projeto prevê o alargamento de duas pontes sobre a área alagada próxima ao manguezal.
Além disso, a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Manutenção planeja uma faixa adicional na marginal da Beira-Mar Norte e uma quinta faixa em frente ao teatro do CIC. Na avenida Professor Henrique da Silva Fontes, na Trindade, haverá reorganização da faixa da direita para acesso ao Itacorubi e uma nova ligação entre o viaduto atual e o novo, facilitando o trânsito para quem vem da região universitária.
O projeto também considera os efeitos das marés sobre a circulação, com adequações na via para minimizar alagamentos que afetam veículos, pedestres e ciclistas. Embora a prefeitura ainda não tenha apresentado estimativas de redução no tempo de viagem ou no número de acidentes após a conclusão da obra, Hahne acredita que a separação dos fluxos deve diminuir a chance de acidentes e a retenção de veículos.
Entretanto, a promessa de desafogar o trânsito não é consenso entre especialistas. Gustavo Pires de Andrade Neto, professor de Arquitetura e Urbanismo da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), argumenta que a separação dos fluxos pode melhorar a circulação em determinados horários, mas não garante a redução do tempo total de deslocamento. “Aumentar a capacidade na avenida da Saudade não resolve o problema se as vias do Itacorubi estiverem congestionadas”, alerta.
Andrade Neto também menciona o risco de demanda induzida, onde a ampliação de vias pode levar a um aumento no uso de automóveis. Para ele, é crucial que a cidade implemente alternativas ao transporte individual, como corredores exclusivos de ônibus e uma rede cicloviária contínua, para reduzir a dependência do carro.
A obra no CIC se conecta a outras intervenções em andamento, como a triplicação da SC-401 e a ampliação das faixas da SC-404, que visam melhorar a circulação entre o centro de Florianópolis e a região norte da ilha. Hahne enfatiza que a conexão entre essas frentes é fundamental para evitar que os ganhos da nova obra se transformem em novos pontos de retenção.
A avaliação do urbanista Andrade Neto diverge, destacando que a estratégia centrada no transporte individual motorizado não deve ser a única abordagem para a mobilidade urbana. “Obras viárias podem ser necessárias, mas não devem ser a única solução”, conclui. A expectativa é que a nova obra traga melhorias significativas, mas a eficácia dependerá de um planejamento mais amplo e integrado para o trânsito na cidade.




