Grandes operadoras de vale-refeição e vale-alimentação estão promovendo benefícios adicionais para empresas que optam por não participar do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Essas vantagens incluem cashback e subsídios para academias, atraindo muitas empresas a abandonarem o programa governamental em busca de custos mais baixos e benefícios mais amplos para seus funcionários.
Essa prática, no entanto, é considerada ilegal por especialistas e levanta preocupações sobre a eficácia do PAT, que foi reformulado pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva no ano passado. O programa oferece incentivos fiscais significativos, como a dedução de até 4% do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e isenção de encargos sociais sobre os benefícios concedidos aos trabalhadores. As operadoras de vale-refeição, como Pluxee e Alelo, estão se beneficiando ao incentivar a saída das empresas do PAT. Ao não estarem vinculadas ao programa, essas empresas podem aplicar taxas mais altas nas transações, o que aumenta a margem de lucro e possibilita a oferta de benefícios atrativos aos empregadores. Essa estratégia, no entanto, pode comprometer a política pública que visa assegurar a alimentação dos trabalhadores e reduzir os custos de alimentação em um cenário de inflação crescente.
Recentemente, a Folha teve acesso a propostas feitas por operadoras de vale-refeição que incluíam cashback de 3% a 5% e incentivos para atrair clientes, caso as empresas optassem por não participar do PAT. Essa abordagem levanta questões sobre a legalidade e a ética dessas práticas, especialmente em um setor que já enfrenta desafios significativos devido às novas regulamentações e à necessidade de garantir a alimentação dos trabalhadores em um ambiente econômico instável.




