Em um mundo cada vez mais virtual, eventos presenciais ganham um novo valor, segundo Hugh Forrest, ex-diretor do South by Southwest (SXSW). Com mais de 30 anos de experiência à frente de um dos maiores festivais de tecnologia e inovação do planeta, Forrest acredita que a criatividade humana se tornará ainda mais central na era da inteligência artificial. Ele agora atua como consultor de eventos, incluindo o SP2B, que começa neste domingo (9) no parque Ibirapuera, em São Paulo.
Durante sua gestão no SXSW, Forrest viu a ascensão e queda de diversas inovações. Ele destaca que, embora a inteligência artificial tenha gerado um entusiasmo inicial, a realidade atual é de uma desilusão crescente com as promessas da tecnologia. Contudo, ele acredita que isso pode abrir espaço para uma compreensão mais madura e eficaz das ferramentas disponíveis.
Forrest enfatiza que a singularidade das experiências humanas, como a capacidade de um artista como Gilberto Gil de emocionar o público ao vivo, será cada vez mais valorizada. Ele sugere que profissionais com habilidades diversificadas estarão menos vulneráveis à automação, e que a criatividade, a empatia e as interações presenciais se tornarão essenciais em um mundo repleto de conteúdo gerado por máquinas.
Em sua visão, eventos como o SP2B são fundamentais para a troca de ideias e a construção de comunidades. Ele menciona que, durante sua gestão no SXSW, o festival conseguiu reunir pessoas de todo o mundo em um ambiente criativo, onde a convivência e a troca de experiências eram enriquecedoras. Para Forrest, esses encontros são ainda mais relevantes agora, pois oferecem um espaço para a interação humana em um cenário dominado por chatbots e tecnologias automatizadas.
As conversas sobre trazer o SXSW para o Brasil foram um ponto de partida para o desenvolvimento do SP2B. Forrest reconhece a força da comunidade brasileira que frequenta o festival texano e acredita que, apesar de não ter avançado na época, a iniciativa atual é uma forma de materializar essa conexão. Ele observa que, embora o timing anterior não fosse ideal, o projeto independente que agora se concretiza é uma resposta ao desejo de inovação e troca cultural no Brasil.
Assim, Forrest conclui que, em um futuro onde a tecnologia está em constante evolução, o valor das experiências presenciais e da criatividade humana se tornará cada vez mais evidente. Os eventos, portanto, não apenas sobrevivem, mas se tornam essenciais na construção de um futuro mais humano e interativo.




