Post: Autora americana critica permanência da Otan e defende dissolução em 1991

Medea Benjamin critica a permanência da Otan e defende sua dissolução em 1991, em entrevista à Folha.
Autora americana critica permanência da Otan e defende dissolução em 1991

Em uma análise contundente, a ativista e escritora americana Medea Benjamin afirmou que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) deveria ter sido dissolvida em 1991, após o fim da União Soviética. Em entrevista à Folha, Benjamin, cofundadora da organização pacifista CodePink, expressou sua visão de que a aliança militar perdeu sua razão de existir e está caminhando para um processo de esgotamento. A autora, que se destaca por suas críticas às intervenções militares dos Estados Unidos, está no Brasil para participar da Festa Literária Pirata das Editoras Independentes (Flipei) e lançar seus livros “Otan: o que você precisa saber” e “Por Dentro do Irã: A verdadeira história política da República Islâmica”.

Aos 73 anos, Benjamin se tornou uma figura proeminente no movimento pacifista, com uma trajetória marcada por sua oposição às guerras promovidas por Washington. Em sua análise do cenário internacional, ela critica o militarismo crescente que tem dominado a política dos Estados Unidos, especialmente sob a administração do ex-presidente Donald Trump. “A Otan, que deveria ser um símbolo de cooperação, hoje representa um prolongamento de uma política militarista que não atende mais aos interesses globais”, afirmou.

Benjamin também comentou sobre a situação atual do Irã, destacando que a guerra tem fortalecido o regime, ao unir setores da população que antes eram críticos ao governo. “Os iranianos se veem obrigados a se unir contra uma ameaça externa, o que paradoxalmente fortalece o governo”, disse. Ela questionou a lógica de apoiar bombardeios, ressaltando que esses ataques não derrubam regimes, mas dificultam a vida da população.

A ativista acredita que a crescente militarização da política externa dos EUA não é sustentável, especialmente em um momento em que a opinião pública americana se mostra cada vez mais contrária a guerras intermináveis. “O povo americano votou em Trump em parte porque ele prometeu acabar com essas guerras, mas aqui estamos novamente, em outro conflito que parece não ter fim”, lamentou.

Benjamin concluiu sua análise afirmando que a dissolução da Otan poderia abrir espaço para uma nova era de diplomacia e cooperação internacional, onde as nações poderiam trabalhar juntas para resolver conflitos sem recorrer ao militarismo. “Precisamos de um novo paradigma que priorize a paz e a justiça social, em vez de armas e intervenções”, defendeu.

A presença de Benjamin no Brasil, em um evento que promove a literatura independente, reforça sua mensagem de que a mudança começa com a conscientização e a educação. Ao lançar seus livros, ela espera inspirar um debate mais amplo sobre o papel das alianças militares na política global e a necessidade de um mundo mais pacífico.

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