No dia anterior à final da Copa do Mundo, altos executivos da Fifa se reuniram em um clima tenso no hotel Waldorf Astoria, em Nova York. Em vez de celebrarem o sucesso do torneio, eles foram confrontados com um ultimato que poderia mudar o futebol para sempre. A proposta, que exigia a aprovação imediata da venda de 20% da Fifa para um grupo de investidores liderado por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, gerou um clima de apreensão entre os dirigentes. O plano, elaborado em segredo, visava privatizar parte da organização responsável pela Copa do Mundo, um evento que há 96 anos é administrado pela Fifa, uma entidade sem fins lucrativos.
Os cinco membros do conselho que participaram da reunião tinham até a meia-noite para decidir. A maioria deles não estava ciente do projeto, que foi mantido em sigilo e elaborado em parceria com o fundo Thrive Capital e o banco JPMorgan Chase. A reunião, marcada de forma apressada, deixou os dirigentes preocupados com as repercussões de um eventual “não” ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, que não estava presente.
Após intensas discussões, três dos cinco membros votaram a favor da proposta, enquanto dois se opuseram. A decisão foi vista como um passo crucial para a implementação do plano, que enfrentou forte resistência de várias entidades do futebol mundial, incluindo a Uefa. A oposição se manifestou rapidamente, ameaçando boicotar todos os eventos da Fifa, incluindo a Copa do Mundo, se a proposta fosse aprovada.
Politicamente, a situação se agravou com a condenação de figuras influentes, como o primeiro-ministro britânico Andy Burnham, que se uniu ao coro de críticas. O secretário-geral da Fifa, Mattias Grafstrom, que votou a favor, descreveu o ocorrido como “uma série de eventos triste e condenável”. Em resposta à pressão crescente, Infantino decidiu desistir do plano em 31 de julho, publicando um comunicado conjunto com Grafstrom pedindo desculpas e prometendo aprender com a situação.
Apesar de seus esforços para garantir apoio, a crise não se dissipou. A Uefa reiterou sua ameaça de boicote, exigindo a renúncia de Infantino. A situação evidencia a fragilidade da liderança da Fifa e a necessidade de um diálogo mais transparente com as diversas partes interessadas no futebol mundial. O desfecho dessa crise poderá ter repercussões significativas para o futuro da organização e a gestão do futebol em nível global.



