Os economistas brasileiros ajustaram suas previsões para a taxa de juros pela primeira vez desde o início da guerra no Irã, ocorrida em fevereiro. O boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (3), aponta que a expectativa para a Selic ao final de 2026 é de 13,75%, uma redução de 0,25 ponto percentual em relação ao levantamento anterior. Essa mudança ocorre após um longo período em que as previsões só aumentavam ou se mantinham estáveis, desde março, quando a taxa era projetada em 12%.
A alta nas expectativas de juros estava em linha com o aumento da inflação global, impulsionada pelo conflito no Irã, que teve início em 28 de fevereiro. O impacto nos preços dos combustíveis foi significativo, levando o Banco Central a adotar uma postura mais restritiva em sua política monetária. Com isso, as expectativas de cortes mais acentuados foram diminuídas. O Comitê de Política Monetária (Copom) se reunirá nesta terça-feira (4), e os economistas ouvidos pelo Banco Central preveem uma redução de 0,25 ponto percentual na Selic, atualmente fixada em 14,25% ao ano.
Além da revisão nas taxas de juros, o boletim Focus também trouxe uma queda nas previsões de inflação para este ano, agora estimada em 5,03%, o que representa uma diminuição de 0,09 ponto percentual em relação ao levantamento anterior. Essa é a quinta semana consecutiva em que a expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registra redução.
As previsões para o Produto Interno Bruto (PIB) e para a cotação do dólar se mantiveram estáveis, com projeções de crescimento de 1,99% e uma taxa de câmbio de R$ 5,20, respectivamente. Essa estabilidade nas expectativas econômicas reflete um cenário de cautela entre os analistas, que observam atentamente os desdobramentos da situação internacional e suas repercussões na economia brasileira.




