Em um projeto inovador no bairro do Bixiga, em São Paulo, mulheres com mais de 60 anos têm encontrado no boxe uma nova forma de vida. A iniciativa, promovida pela Amuv (Associação de Mulheres Unidos Venceremos) e pela Casa Mestre Ananias, oferece treinos semanais que vão além do exercício físico, proporcionando força, equilíbrio e um aumento significativo na autoestima das participantes.
Durante as aulas, que ocorrem todas as terças e quintas-feiras, o ambiente é repleto de energia e determinação. O professor Wellinton Souza, que comanda os treinos, incentiva as alunas com comandos como “mais rápido” e “bora, sem parar”. Entre as praticantes, destaca-se Maria Alaíde, de 73 anos, conhecida como dona Azul, que se tornou um exemplo de superação. Com um uniforme e luvas azuis, ela não apenas se dedica aos treinos, mas também relata uma transformação em sua saúde e bem-estar.
Dona Azul, que nunca havia imaginado que aprenderia a dar um soco, afirma que o boxe mudou sua vida. “Sou outra mulher, parece que tenho 15 anos. Tenho mais força, mais coragem, mais ânimo”, diz. Antes de iniciar o projeto, ela enfrentava sintomas de artrite e artrose, que, após seis meses de treino, praticamente desapareceram. “As dores nos joelhos, ombros e mãos sumiram. Meus dedos, que estavam tortos, agora estão melhores”, completa.
O projeto, chamado Geração Nocaute, é gratuito e tem um limite de 15 alunas por turma, garantindo um acompanhamento mais próximo. Wellinton, que realiza o trabalho voluntariamente, percebeu que a solidão e a falta de movimento eram questões recorrentes entre as idosas da região. “Apesar de ser um bairro central e muito movimentado, muitas dessas mulheres não são vistas porque não transitam pelas ruas”, explica.
A divulgação do projeto foi feita em espaços como o Núcleo de Convivência de Idosos da Paróquia Nossa Senhora da Achiropita, onde dona Azul se interessou pela proposta. O resultado é um grupo coeso que não apenas se exercita, mas também se socializa, criando laços de amizade e apoio mútuo.
Além dos benefícios físicos, o boxe também estimula a coordenação motora e a memória. Wellinton destaca que os movimentos exigidos durante os treinos, como andar com as pernas afastadas e recuar, ajudam a ativar diferentes áreas do cérebro, promovendo uma melhora na agilidade mental das alunas. “Muitas tinham dificuldade para agachar ou levantar o braço, e agora estão mais ágeis”, observa.
O impacto do projeto vai além do físico; ele resgata a autoestima e a confiança das mulheres participantes. A experiência de dona Azul é um testemunho do poder transformador do boxe. Com uma rotina extenuante como cuidadora de idosos, ela afirma que se sente menos cansada e mais disposta desde que começou a treinar. “Mudou tudo na minha vida”, conclui.
O Geração Nocaute é um exemplo inspirador de como a prática de atividades físicas pode ser inclusiva e benéfica para todas as idades. Ao promover saúde e socialização, o projeto não apenas melhora a qualidade de vida das participantes, mas também as empodera, mostrando que nunca é tarde para aprender e se reinventar.




