A Fifa (Federação Internacional de Futebol) anunciou na noite de sexta-feira (31) a desistência de um projeto que visava vender uma participação minoritária em uma nova entidade comercial, avaliada em cerca de US$ 20 bilhões (R$ 101,5 bilhões). A decisão foi tomada após uma forte reação negativa de diversas partes do mundo do futebol, incluindo confederações continentais e membros da própria Fifa. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, afirmou que, após ouvir as opiniões, ficou claro que o projeto gerou divisões que não atendem mais ao objetivo inicial de unir e melhorar o futebol. “Nosso propósito sempre foi – e sempre será – unir e melhorar”, declarou Infantino em comunicado. O plano, que foi apresentado na terça-feira (28), previa a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), que teria a responsabilidade de administrar atividades comerciais, como transmissões, patrocínios e venda de ingressos, além de eventos como a Copa do Mundo. A expectativa era arrecadar ao menos US$ 4 bilhões (R$ 20,3 bilhões) com a venda de participação minoritária. Contudo, a proposta foi recebida com descontentamento por várias confederações, incluindo a Uefa (União das Associações Europeias de Futebol), que aprovou um boicote às competições da Fifa até que o plano fosse retirado. A Concacaf (Confederação das Associações de Futebol da América do Norte, da América Central e do Caribe) e a AFC (Confederação Asiática de Futebol) também se manifestaram contra a iniciativa. Carlos Cordeiro, conselheiro sênior de Infantino, renunciou ao cargo em oposição ao projeto, evidenciando a divisão interna na Fifa. Apesar das tentativas de defesa de Infantino, que afirmou que a Fifa não estava vendendo o futebol, a rejeição ao plano se intensificou. O diretor de operações da Fifa, Kevin Lamour, chegou a afirmar que os funcionários foram “enganados” por Infantino, descrevendo a proposta como um projeto de venda do futebol. Diante desse cenário, a Fifa decidiu interromper o projeto, reconhecendo que não havia apoio suficiente para sua continuidade. O presidente da entidade reiterou que qualquer iniciativa futura deverá passar por um processo de consulta e ter a concordância da maioria das associações membros. A desistência do projeto representa um momento significativo para a Fifa, que enfrenta desafios em sua governança e na relação com as confederações e clubes de futebol ao redor do mundo. O episódio evidencia a necessidade de um diálogo mais aberto e inclusivo para garantir que as decisões tomadas estejam alinhadas com os interesses de todos os envolvidos no esporte.




